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Título: PUNHADO DE SINAIS
Autor: José Weis

ISBN: 978-65-6056-246-2

Formato: 14 x 21
Páginas: 62
Gênero: Poesia
Publicação: Bestiário, 2026

O título é preciso. Um punhado é pouco e, ao mesmo tempo, suficiente. Não se trata de uma coleção exaustiva do mundo, mas de alguns fragmentos cuidadosamente escolhidos. Os sinais de José Weis surgem no semáforo, na biblioteca, no cais, na enchente, na infância, na música, no cinema, no amor, na memória familiar, no jornal impresso, na página de um dicionário ou no voo de um quero-quero. Cada um deles parece discreto quando isolado; juntos, revelam um mapa afetivo e moral de nosso tempo.
A força dessa poesia reside justamente na economia. Weis sabe que o excesso de palavras frequentemente obscurece aquilo que pretende iluminar. Por isso, prefere o corte à ornamentação, a sugestão ao discurso, a imagem à explicação. Herdando algo da tradição do epigrama, do haicai e da melhor poesia moderna brasileira, seus versos demonstram que a concisão não diminui a emoção; ao contrário, a concentra.
Mas a contenção jamais significa distanciamento.
Há uma humanidade permanente atravessando estas páginas. O poeta olha para o reciclador, para as crianças no semáforo, para os Yanomami, para as vítimas das enchentes, para os livros abandonados, para a cidade que muda, para a própria infância e para o envelhecimento. Nada disso aparece como manifesto ou panfleto. Surge como quem observa demoradamente antes de escrever. É uma poesia que acredita que a lucidez pode ser mais contundente do que o grito.
Outro aspecto marcante é a rede de diálogos que sustenta o livro. João Cabral, Caetano, Beatles, Dyonélio, Bergman, Alberto Caeiro, Gutenberg, Sebastião Uchoa Leite, Leminski, Raduan Nassar e tantos outros aparecem não como ornamentos eruditos, mas como companheiros de conversa. A literatura, o cinema, a música e as artes não são citações de prestígio: fazem parte da biografia intelectual do autor e, por consequência, da matéria viva de seus poemas.
Também Porto Alegre atravessa silenciosamente estas páginas. Não apenas como cenário, mas como memória. A cidade dos cinemas de calçada, do cais, dos jornais, das enchentes, dos bairros e dos encontros permanece viva porque foi transformada em linguagem. Ao registrar uma cidade concreta, José Weis acaba escrevendo sobre todas as cidades que carregamos conosco.
Talvez seja esse o maior mérito deste livro: recordar que a poesia continua sendo um exercício de percepção. Em tempos de excesso de imagens, de opiniões instantâneas e de discursos ruidosos, Punhado de sinais reivindica outra velocidade. Ensina que compreender o mundo ainda depende de saber observá-lo.
No último poema, quando a autobiografia emerge de maneira mais direta, percebe-se que os sinais espalhados ao longo do livro pertenciam, afinal, ao mesmo percurso existencial. A vida aparece feita de perdas, afetos, livros, filmes, músicas, amizades, desejos realizados e outros que permanecerão apenas como possibilidade. Nada extraordinário — e justamente por isso profundamente humano.
Ao fechar este volume, o leitor talvez descubra que leva consigo mais do que alguns poemas. Leva um modo de olhar.
E esse talvez seja o verdadeiro destino da poesia: não explicar o mundo, mas tornar impossível atravessá-lo sem percebê-lo melhor.

Sobre o autor:
José Weis - Nascido em Porto Alegre, no século 20 e onde sobrevive até os dias de hoje. Participou de antologias, Antologia do Sul (2001 e 2003) teve poemas divulgados na série Poemas no Ônibus e dois livros publicados; Lenhador de samambaias (IEL RS, 2012) e Cachorro não é uísque (Editora, Editora Kazuá, São Paulo, 2026). O poema SINAIS, desta edição, foi menção honrosa no Prêmio Lila Ripoll de Poesia, 2022. Participou do júri no Prêmio Açorianos de Literatura, edição de 2003. Em 2025, publicou Dyonelio Machado, O Alienista do Cati com tinta de jornal nos dedos (Carta Editora, Porto Alegre) Além de jornalista, é restaurador de livros.