VÃO PENSAR QUE ESTAMOS FUGINDO
A HISTÓRIA DE UMA VIAGEM QUASE IMPOSSÍVEL
Valesca de Assis

MOACYR SCLIAR, sobre este livro:
"uma grande contribuição para a nossa literatura
e para a nossa cultura".

VALESCA DE ASSIS é licenciada em Filosofia. Professora. Tem atuado em atividades culturais, chegando à função de Presidente do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul.
   Estreou como escritora com a publicação de A valsa da medusa (1990) Publicou depois o romance A colheita dos dias (1992), O livro das generosidades(1997), Harmonia das esferas (2000) – PRÊMIO APCA/2000: REVELAÇÃO DE AUTOR (Associação Paulista de Críticos de Artes), e finalista do Prêmio Açorianos.Diciodiário é de 2005. Participa, ainda, de diversas antologias, dentre elas: A cidade de perfil (1994), Nós, os teuto-gaúchos (1996), Crônica & Cidade(1997), Receitas de criar e cozinhar (1988), O livro das mulheres (1999), O João Carlos (org. David Coimbra, clicRBS, 2000, Capítulo 8), Meia encarnada, dura de sangue (org. Ruy Carlos Ostermann, 2001), Contos de Bolso (2005) e Contos de bolsa (2007).

Neste ano de 2008 observa-se a edição de muitos livros [e de resto, de filmes, documentários e até comercias de TV] que tratam da vinda da Corte portuguesa para o Brasil. Com maior ou maior fidelidade e resultados estéticos, essas peças e documentos fazem chegar ao leitor um bastante completo quadro político, moral e social da época em que Napoleão e seus exércitos assolavam a Europa e, como num golpe de mágica, extinguiam dinastias e coroavam reis de opereta. O Brasil entra nesse quadro como a nova sede da monarquia de Portugal, resultado direto da vinda do príncipe Regente, sua família e toda a burocracia do Estado.
      Este livro não pretende ser mais um a tratar desse assunto, nem colaborar para a saturação do mercado, repetindo o que outros já disseram. Sua diferença está em dois níveis: em primeiro lugar, é um livro que se destina ao público jovem [embora as leituras prévias tenham demonstrado que podem ser acompanhadas, e com ganho e prazer, pelos adultos]; em segundo lugar, é um livro que fixa seu olhar exclusivamente sobre a longa viagem marítima de Lisboa à Bahia e depois ao Rio de Janeiro. Foi, pode-se dizer, uma viagem épica, em que o motivo condutor tem como mote uma frase de Napoleão em Santa Helena, de que D. João foi o único príncipe que o havia enganado. Foi épica pela quantidade de circunstâncias enfrentadas – e vencidas. Foi épica pelas poderosas e dramáticas forças em jogo. Foi épica, enfim, pelo drama pessoal de D. João que nesta viagem, foi capaz de refletir não apenas sobre o destino da Casa de Bragança, mas sobre seu destino pessoal de homem fraco por natureza, mas forte quando os fatos assim o exigiam. E isso tudo ocorre entre as ondas do Atlântico, em meio a pragas de piolhos, enjôos, nobres esfarrapados, má comida, má bebida, ausência de privacidade e tramas familiares. 
      Escrito em linguagem límpida e cativante, a premiada autora Valesca de Assis vai construindo seu texto como se fosse uma longa história contada ao pé do ouvido, uma história em que o leitor tomará contato com questões ainda nunca declaradas. Pela mão de quem sabe escrever, é desvendado todo um universo de intrigas, contradições, amores e ódios. Um universo que conquista o leitor da primeira à última página e que, nas palavras de Moacyr Scliar, "a notável escritora Valesca de Assis narra ao público jovem, com vivacidade, com humor e conhecimento".