Para o Sérgio Faraco, pergunto: Na literatura brasileira, são escassas as obras que tratam da saga de menores que, vencendo dificuldades, tornam-se seres humanos de valor. Exemplos há, na literatura estrangeira, de marcantes obras sobre tal assunto ( Tom Sawyer, Hucleberry Finn  - de Mark Twain -, por exemplo ). Qual a razão/razões de nossos autores, pelo menos os contemporâneos, para não se utilizarem desse filão?

José Diogo Cyrillo da Silva,

Sergio Faraco respode:

A literatura brasileira é rica de narrativas que focalizam os anos de formação. Para que se faça uma rápida e precisa constatação dessa opulência, basta que se compulse o livro O menino na literatura brasileira, da mineira Vânia Maria Resende (São Paulo: Editora Perspectiva, 1988), ainda disponível no mercado. Ela recorda três obras de Monteiro Lobato (Urupês / Cidades mortas / Negrinha) e estuda O risco do bordado, de Autran Dourado, os contos e romances de José J. Veiga, Menino no espelho, de Fernando Sabino, O menino Grapiúna, de Jorge Amado, a presença do menino nas "estórias" de Guimarães Rosa, particularmente em Tutaméia, além de contos e novelas de inúmeros autores mais jovens. Os temas na literatura brasileira têm a variedade cromática de um caleidoscópio. O problema dela, no cotejo com o que universalmente se faz ou já se fez, é o isolamento da última flor do Lácio, "esplendor e sepultura", como disse o poeta.