A Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul abriu, em 2006,
um eixo de Escrita Criativa no
Mestrado em Teoria da Literatura e
convidou-me a dar as aulas na
cadeira de “Poesia e Criação”. Os
poemas que compõe este número
especial de Máquina do Mundo são o
resultado do primeiro semestre do
curso, que foi freqüentado por 14
alunos, a saber, Marina de Oliveira,
Bernardo Moraes, Carla Laidens,
Cláudia Gelb, Daniel Mendelski,
Fernanda Garcia, Maurício Chemello,
Monique Revillion, Odone Neves,
Paula Chiappara, Virgínia do Rosário,
Elaine Lemos e Cristina Gomes.
Durante 45 horas-aula, analisamos as
poéticas de Platão, Aristóteles,
Bloom, Konder, Poe, Eliot,
Baudelaire, Stigger, Trevisan, entre
outros, em animados seminários que
provaram que certos estavam os
gregos quando inventaram a palavra
teoria, que significa, literalmente,
ver mais alto e ver mais longe. A
partir desses conclaves, ousei
propor aos alunos que —
independentemente do que cada um
acreditava ser a inspiração —
fizessem poemas com as palavras que
o léxico nos coloca à disposição
desde que nascemos e com as
experiências de vida e de leitura
que cada traz também desde os seus
primeiros anos. E assim, num
processo absolutamente lúdico, como
crianças que montassem seus próprios
brinquedos, fomos compondo, tecendo,
tramando, versando, sem perder nunca
de nossos horizontes de expectativas
a tradição, que desde a antiguidade
vem tentando caracterizar o poético
e o não-poético, as fontes objetivas
e subjetivas da poesia e as suas
relações de intertextualidade.
Quanto mais alto e mais longe se
olha mais se amplia a imensidão. E
esse desdobramento de visões tem
como contraparte dialética o
surgimento da vontade de
experimentar as formas poéticas, de
objetivá-las, de passá-las para o
papel ou para a tela do computador.
Superando a angústia da influência,
meus alunos foram capazes de
expressar o mundo e a si mesmos. Uma
pequena amostra do resultado deste
trabalho aqui está, para ser lido
além do restrito círculo da sala de
aula e para ser desvelado, mais uma
vez, por outras teorias, num
movimento perpétuo.
Charles Kiefer
