As sobras do mundo
As sobras do mundo
escoam
à minha volta.
Tudo envolto num ritmo ágil
embrulho de papel crepom
com laço de celofane.
As babas do mundo
escorrem
na minha pele.
Queijo derretido
feitinho na hora,
entregue em casa
pelo moto-boy de plantão.
As sombras do mundo
ecoam
à minha porta.
Um amarrado retórico
rosto de bóia-fria
babando
em supermercado.
A pintura me encanta
A pintura me encanta.
A vista alcança
aquela montanha de tinta
enquanto o olho vai e vem e vai
em busca da contradança.
A cor se envolve na luz
e te devolve ao olho
em forma de um grito
apertado na garganta.

Luiz Paulo
Vasconcellos nasceu no Rio de Janeiro em 1941. É
ator, diretor e dramaturgo. Joalheiro, tapeceiro e poeta
na horas vagas. Bacharel em Artes Cênicas pela UNI-Rio
(1969), com estágio na França (CUIFERD, 1970-71) e
Mestrado na State University of New York (1981-83).
Professor (aposentado) de Direção e Estética do
Espetáculo do DAD/UFRGS (1970-1995). Diretor do
Instituto de Artes da mesma Universidade (1977-81) e
Coordenador de Artes Cênicas da Secretaria da Cultura de
Porto Alegre (1997-2000 e novamente a partir de janeiro
de 2004). Autor do Dicionário de Teatro, L&PM Editores,
1987 (5ª ed.). Recebeu o Troféu Persona, da Secretaria
de Estado da Cultura (1990), o Prêmio Qorpo Santo, da
Câmara Municipal de Porto Alegre (1992), o Troféu
Açorianos Especial (1993) e de Melhor Ator (2003) da
Secretaria Municipal da Cultura, e a Medalha Cidade de
Porto Alegre (1994) pelos serviços prestados ao teatro
gaúcho. Atualmente, assina a coluna de teatro da revista
Aplauso.