Antonio Calloni
 

O pintor do oriente

meu pincel

em recém nascido papel

vê tua seda engrandecida 

em senda de nenhuma saída

tua boca renasce farol

na minha ilha

no meu amar

na palavra filha

peninsular

mas aparece alguma noite

uma demência

um açoite

letra mal pintada

querença desacordada

desconfiança portão errado

mas logo acordo ritmado

por deusa negra africana

de grandes dentes e risada profana

        é amor pintado

com tintas de Pedro meu filho

tintas de Pedro apóstolo

tintas de tanto sorriso

tintas da pedra 

da igreja

da casa 

de toda ventura

de toda batalha

pedras pintadas

reais

reinventam a estrutura

de pedras que fazem castelo

e casa

e casa noturna

pintando o pecado

o beijo pago

mas sempre beijo

sempre encantado...

e aprendo a pintar

com todo tipo de tinta

a carne que me redime

que me corta

me adoece

me entorta

        a lâmina da barbárie

        a verdade sempre pouca

        a minha terra natal

                                                                                    

                                                       a escola da tua boca


 

Antonio Calloni é pescador e ator nas horas vagas. Poeta em tempo integral. Autor de "Os infantes de dezembro" (Poesia, 1999) , "A ilha de Sagitário" (Contos, 2000), "Amanhã eu vou dançar" (Novela, 2002) e "O sorriso de Serapião e outras gargalhadas" (Novela, 2005), todos publicados pela Bertrand Brasil.