porto alegre
tarde de chuva
na capital do estado.
paredes suam.
são olhos
vazados.
o silêncio
o silêncio me sorve
em longos e largos
goles, sobe
pela boca, absorve
securas, vazios
estios. sabe
que a lida não é dura
nem leve: ela é breve
e se atreve.
fragrância
recriar, a cada novo
dia, o lugar-comum.
lapidá-lo, refazê-lo, forjá-lo novo:
libertá-lo de si mesmo.
senti-lo como se parido dos dedos.
até finalmente tê-lo por inteiro.
a estrada
a
longa e larga estrada
que sobre meus ombros
se arrasta
descreve a história
de um tempo sem fim
de um
vinho raro
e ruim