elegia

com esta flor nas mãos vazias
trazida de uma cratera íntima
me distraio neste pátio sitiado
por 1 jarro vazio e 3 navios de batalha

sigo assim provando a sorte

bem me quer mal me quer
bem me quer mal...

e me vejo aos 26
(em plena cegueira dos dias)
a brincar de sondar teu querer

tudo isso seria risível ou patético ou sei lá
não fossem de sangue essas pétalas



Paulo Vieira é neto de agricultores familiares expulsos de suas terras, por uma enchente provocada pela instalação de barragem no Estado do Paraná, na década de 1970, Paulo Vieira nasce em São Miguel do (rio) Guamá, no Pará, e muda-se para Belém com a mãe e os avós, em 1980, aos dois anos de idade. Vive uma infância amazônico-urbana (criado pelos avós) passada na periferia da cidade, entre os restos de uma floresta perdida na poeira do caos, ouvindo a voz arfante do avô lhe descrever aquele pedaço de chão que um dia ainda vai conseguir... Seus primeiros versos surgem nessa época. Vencedor do prêmio IAP de Literatura 2004, com o livro Infância Vegetal, Paulo Vieira teve sua obra de estréia prefaciada pelo crítico Benedito Nunes. Atualmente trabalha em seu novo livro de poemas.