QUATRO POEMAS
VERÃO
Cordas de cristal
fustigam minha vidraça.
É o verão que passa.
OUTONO
Folhas pelo chão:
é chegado o outono. Ou
falta inspiração...
INVERNO
Poentes de fogo,
uma ironia: o inverno
é quem se anuncia.
PRIMAVERA
Por toda a cidade
flores parecem rir. Tem
graça a primavera!

Angela Leite de Souza por
ela mesma;
Comecei a ser escritora com sete anos. Mentira? Verdade! Desde que fui
alfabetizada, passei a pôr no papel todas as minhas idéias e
sentimentos: tristezas e alegrias, acontecimentos especiais, tudo eu ia
registrando, em prosa e até em verso, com aquela letra incerta de
principiante. Minha mãe guardou um desses primeiros textos.
Intitulava-se Discurso e comentava a morte do "dono do Brasil"... era
Getúlio. Você deve então estar pensando: puxa, como ela já é velha!
Talvez, mas só na certidão de nascimento, porque dentro de mim ainda
existe a mesma menina que gostava de escrever e queria ser escritora
quando crescesse. Essa menina é quem pega no lápis (quando não estou
perto do computador) e vai pondo no papel idéias, lembranças, alegrias e
tristezas, em prosa ou em verso, que depois se transformam em livros. De
vez em quando, a outra Angela, que se casou, teve três filhos e foi
jornalista durante muitos anos, essa Angela também usa minha imaginação
e cria livros para adultos. Foi com um deles, Estas muitas minas, de
poemas, que ganhei em 1997 o maior prêmio de minha carreira, o "Casa de
las Américas", do governo de Cuba. Mas posso garantir que me divirto
mais escrevendo para crianças. Mesmo porque, desde que fiz Um homem cor
de limão (Editora Lê, 1990), tornei-me também ilustradora - não só de
livros, mas de camisetas, cartões, almofadas... - e desenhar é somente
um outro jeito de inventar histórias.