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Não ser
não voltar a inventar-se
de novo
caminhar ainda
algum tempo
pelo cego ar
Ser é novembro
junto aos olhos das flores
Na orla
No mar
um riso, tem
pego um peixe, que fala.
Mas ele disse,
o que qualquer um diz.
Agora
Agora.
Agora faz tempo.
Agora:
setembro à tarde.
Olor
de cinza quente.
Assim, como se eu mesmo
fora queimado
e fosse a cinza.
Existo?
Não sou eu?
A luz,
rotundo prato
e cheio de maçãs,
pesado de peras.
Sou.
Existo com as flores,
pálpebras de girasóis,
sementes
nas redondas pupilas.
Olhos,
meus olhos perto.
Deixo de ser?
O dia do homem
raio
no escuro do bronze.
Agora:
um setembro,
à tarde.
Agora faz tempo.
Tempo lento
Tempo lento,
tempolentidade,
lentitude oral,
lento, digo
um verbo,
te digo
confidente,
há
morte nisso,
lua e sol,
a brasa,
que sopra das casas,
ainda sinos
que soam.
Um ano
não é sorte,
nem aliada dos mortos.
Por isso
vem por ti
a notícia. (Tradução:
Roberto Schmitt-Prym)

ERNST MEITER, poeta alemão. Nasceu em 1911 em Hagen e falecer em
1979 em Heimatstadt.
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