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Um fragmento do Livro das Quedas
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Murmuro dia e noite as leis
do amor, a ruga do desejo que no teu corpo
se converte em luz; um corpo que não se afasta
do meu olhar, esteja eu perto
ou longe. Em ti deitado
regresso às terras do pai
de onde nunca parti. Património
do meu canto errante, jamais
decantado. De que outras acções de guerra
me ausento bebendo e tecendo
o álcool do tempo? Murmuro
dia e noite
as leis incertas do amor.

CASIMIRO DE BRITO Poeta, romancista, contista e ensaísta.
Nasceu no Algarve, em 1938, onde estudou (depois em Londres) e viveu até
1968. Depois de uns anos na Alemanha passou a viver em Lisboa. Teve várias
profissões mas actualmente dedica-se exclusivamente à literatura. Começou
a publicar em 1957 (Poemas da Solidão Imperfeita) e, desde então, publicou
mais de 40 títulos. Dirigiu várias revistas literárias, entre elas
"Cadernos do Meio-Dia" (com António Ramos Rosa), os Cadernos "Outubro/
Fevereiro/ Novembro" (com Gastão Cruz) e "Loreto 13" (órgão da Associação
Portuguesa de Escritores). Actualmente é responsável pela colaboração
portuguesa na revista internacional “Serta”. Esteve ligado ao movimento
"Poesia 61", um dos mais importantes da poesia portuguesa do século XX.
Ganhou vários prémios literários, entre eles o Prémio Internacional
Versilia, de Viareggio, para a "Melhor obra completa de poesia", pela sua
Ode & Ceia (1985), obra em que reuniu os seus primeiros dez livros de
poesia. Colabora nas mais prestigiadas revistas de poesia e tem obras suas
incluídas em mais de 120 antologias, publicadas em vários países.
Participou em inúmeros recitais, festivais de poesia, congressos de
escritores, conferências, um pouco por todo o mundo. Director dos
festivais internacionais de poesia de Lisboa, Porto Santo (Madeira) e
Faro. Foi vice-presidente da Associação Portuguesa de Escritores,
presidente da Association Européenne pour la Promotion de la Poésie, de
Lovaina e é presidente do P.E.N. Clube Português. Obras suas foram
gravadas para a Library of the Congress, de Washington. Foi agraciado pela
Academia Brasileira de Filologia, do Rio de Janeiro, com a medalha Oskar
Nobiling por serviços distintos no campo da literatura — entre outras
distinções. É conselheiro da Associação Mundial de Haiku, de Tóquio.
A Académie Mondiale de Poésie (da Fundação Martin Luther King),
galardoou-o em 2002 com o primeiro Prémio Internacional de Poesia Leopold
Sédar Senghor, pela sua carreira literária. Ganhou o Prémio de Poesia
Aleramo-Mario Luzi, para o “Melhor Livro de Poesia Estrangeiro publicado
em Itália em 2004”. Tem traduzido poesia de várias línguas, sobretudo do
japonês e foi traduzido para galego, espanhol, catalão, italiano, francês,
corso, inglês, alemão, flamengo, holandês, sueco, polaco, esloveno,
servocroata, grego, romeno, búlgaro, húngaro, russo, árabe, yiddish,
chinês e japonês.
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