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CÂMERA
How you die is the most
important thing you ever do.
Timothy Leary
uns preferem
a morte discreta
asséptica
sem vexame
outros apostam
no alvoroço:
enxame
de câmeras até
o osso do nada
timothy leary
guru
lisérgico não quis
o analgésico
do silêncio
morreu em show
cibernético
câmera aberta
para o olho
poente
AÇAFRÃO
um ou dois poemas
de sentido oculto
um galho seco
de açafrão
e a necessidade
de ficar
sóbrio sobre as cinzas
eis todo o meu saber
se me perguntarem
por quê?
vou jurar que não sei
não sou
desses que sabem
talvez um dia
eu tenha pensado
conhecer os
pontos cardeais
fases da lua e
frases da rua:
mas o sol
é sábio e ensina
todos os dias
sua lição de incerteza
uma vez
no oco branco
da noite
pensei que
o amanhecer me
traria pássaros
fáceis
e obedientes
falhei —
o ferro quente do erro
o ferro fértil do erro

CARLOS MACHADO nasceu em 1951, em Muritiba (BA). Jornalista, reside
em São Paulo desde 1980. Edita na internet o boletim poesia.net
(www.algumapoesia.com.br). Tem poemas publicados na imprensa
especializada, como a a revista Cacto e o jornal O Escritor, além de
vários sites.
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