N.Y.

Minha cidade, minha amada, minha branca!
         Ah, esbelta,
Ouça! Ouça-me, vou soprar uma alma dentro de ti.
Delicadamente pela flauta, atenta-me!

Agora sei que sou louco,
Porque há aqui um milhão de pessoas na fúria do tráfego;
Isso não é donzela.
Nem eu poderia tocar uma flauta se a tivesse.

Minha cidade, minha amada,
És uma donzela sem seios,
És esbelta como uma flauta de prata.
Ouça, atente-me!
E eu soprarei uma alma dentro de ti,
E viverás para sempre.

EM UMA ESTAÇÃO DO METRO

A aparição destas faces na multidão;
Pétalas em úmido ramo negro.

Publicado em Poetry, II (abril de 1913) e depois em Lustra (1916).

L'ART, 1910


VERDE arsênico coberto por um pano branco-ovo,
Morangos mofados! Venha, deleite para os olhos.

Publicado no primeiro número da revista Blast (20 de junho de 1914) e depois em Lustra (1916)

Traduções de Roberto Schmitt-Prym

EZRA POUND nasceu em Hailey, nos Estados Unidos, em 1885, e morreu em Veneza, em 1972. Em 1941-42 foi acusado de traição pelo governo americano, por ter feito uma série de transmissões radiofônicas, em Roma, consideradas contrárias ao "seu dever de lealdade". Em 1945, após a invasão americana à Itália entrega-se às tropas norte-americanas, sendo preso e levado a um campo de concentração para prisioneiros de guerra, em Pisa. Tinha 60 anos. A prisão durou 3 semanas e logo após Pound levado para a América e acabou internado num manicômio judiciário, onde viveu durante 12 anos; poeticamente, atingiu o auge de produtividade com obras como: Cantos Pisanos (1948), Analectos (1950) e diversas traduções para as 305 Odes Confucianas (1954), Trachiniae de Sófocles (1955) e Rock-Drill, Cantos 85-95 (1956).