Dorothy Stang, uma brasileira


A branquelona americana veio torrar a pele sob o sol do Pará. Enfiou o nariz onde não fora chamada. Essa cisma de querer ajudar os outros não poderia mesmo acabar bem. Será que não sabia que produzir um deserto é desejo legítimo dos brasileiros? Que nos livros escolares a Floresta Amazônica era chamada de Inferno Brasileiro? Acreditou no poder da palavra e se esqueceu que por aqui o 38 fala mais alto. Devia ser desses valentes que preferem as batalhas perdidas. Deu do que deu. Não foi por falta de aviso. Na foto do jornal, aparecem as grandes manchas de sangue nos azulejos do necrotério. Na TV, mostraram sua cara risonha, dentuça, com óculos antiquados Era persona non grata. Deu 30 anos de trabalho para os brasileiros.Levou seis tiros no peito.


DONIZETE GALVÃO nasceu em Borda da Mata, MG, em 1955. Publicou seis livros de poesia, entre eles Do silêncio da pedra (96), A carne e o tempo (97), Ruminações (2000) e Mundo mudo (2003), indicado para o Prêmio Portugal Telecom. Ganhou o Prêmio APCA pelo livro de estréia Azul navalha(88) e foi duas vezes indicado para o Prêmio Jabuti.