Auto-retrato, óleo s/ tela,  1939.


[O DEFUNTO BÚFALO BILL]

Búfalo Bill
defunto
          que usava
          como montaria um lustro-prateado
                                                        garanhão
e atirava em umdoistrêsquatrocinco pombos pornada
                                                                      Jesus
e era elegante
                   e o que eu quero saber é
como gostar de um menino deazul
Senhor Morte

Tradução de Roberto Schmitt-Prym

Edward Eastlin Cummings, que sempre assinou e. e. cummings, nasceu em 14 de outrubro de 1894, em Cambridge, Massachusetts. Estudou em Harvard, de 1911 a 1915, especializando-se em literatura grega. Um autêntico homem sem profissão, Cummings viveu por toda a sua vida dos parcos ganhos de poeta e pintor, a princípio ajudado pelos seus pais e avós, depois pela mulher, Marion, modelo e fotógrafa. Amigo de John dos Passos e de Erza Pound, foi dos poucos que não abandonaram o autor dos Cantos quando este, acusado de traição ao seu país, foi internado no manicômio judiciário de Washington, o St. Elizabeths Hospital. convidado para proferir conferências em Harvard, de 1952 a 1953, escreveu seis palestras, que intitulou i: six nonlectures(eu:seis não-conferências) com as quais, descobrindo em si próprio uma extraordinária vocação para a leitura de poemas, percorreu com grande êxito de audiência colégios e universidades. Cummings morreu em 3 de setembro de 1962, em Madison (New Hampshire), de um ataque cardíaco. No ano seguinte, sairia uma coleção de seus últimos poemas inéditos: 75 Poems; em 1969, uma importante seleta de suas cartas: Selected Letters, organizada por F. W. Dupee e G. Slade. Além da biografia citada, não pode deixar de ser referida a anterior, de Charles Norman ( The Magic Maker: E. E. Cummings, 1958, reeditada em 1964). Dentre os livros de crítica que tratam de sua poesia, destaca-se o de Norman Friedman, E. E. Cummings: The Art of His Poetry, 1960. Bibliografia: Tulips and Chimneys (1923), &(And) (1925), XLI Poems (1925), Is 5 (1926), W (ViVa) (1931), No Thanks (1935), "Neu Poems" from Collected Poems (1938), 50 Poems (1940), 1 x 1 (1944), XAIPE (1950), Poems 1923-1954 (1954), 95 Poems (1958), 73 Poems (1963).