ânima & (lág)rima

fui criada ao acaso
em meio a uma crise
de insônia
(maybe um orgasmo
de insânia)

posso ser um último ato
(sem direito a reprise)
algo límpido
algo lúcido
implícito no desatino
de um deus-menino
(perhaps algo sujo
no jato do gozo
de um diabo adúltero)

possuo fases de lua
- inúmeras faces -
repousa em meu peito
um vulcão dormente
- que no leito irrompe -
cúmplice do vento
sou o disfarce que ele ousa
e quando caio das nuvens
desmancho em magma

(talvez não passe de um dueto
entre inferno
e firmamento

quem sabe poesia humana
refém saída da lama
à superfície da alma)

VALÉRIA TARELHO (Santos-SP, 1962) casada, quatro filhos, formou-se em Direito, mas optou pela poesia. Viveu na cidade de Guarujá-SP até dezembro de 1998, quando se mudou para São José dos Campos-SP, onde mora. Seus primeiros escritos — poesia, em maior escala — datam de abril de 2002. Obras publicadas: prosa (em co-autoria) no livro Com Licença da Palavra (Editora Scortecci, 2003); poemas na Antologia Brasileira de Poetas Contemporâneos, vols. 1 a 7, da Câmara Brasileira de Jovens Escritores e no Livro da Tribo 2004 e 2005 (Editora da Tribo). Teve um poema selecionado para integrar o livro Panorama Literário Brasileiro 2004/2005 — As 100 Melhores Poesias de 2004 — Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Participa, ainda, de diversas antologias, em formato e-book.