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Título: Escrita criativa
Autor: Bernardo Bueno (org)

Dimensões: 14 x 21 cm
Páginas: 156
Gênero: Conto, Poesia
Ano: 2017

Na PUCRS tivemos a oportunidade de desenvolver e introduzir os primeiros cursos de Escrita Criativa em uma universidade no Brasil. A honra de ter feito – e de ainda fazer – parte desse processo é muito grande. Mas, principalmente, é uma oportunidade de receber alunos que vêm sem preconceitos, sem saber exatamente o que esperar de uma disciplina de Escrita Criativa, de um curso de graduação ou de pós-graduação. É uma chance de dialogar com suas expectativas e moldar o futuro. Porque nem todos têm certeza absoluta de que querem ser escritores (pergunto: será preciso ter certeza absoluta?). O próprio Murakami, tantas vezes cotado a receber o prêmio Nobel, iniciou sua aventura literária dando uma pausa no seu negócio como dono de bar; se não desse certo, voltaria a fazer o que estava fazendo. Alguns alunos não sabem o que fazer com seu talento. O escritor não tem uma profissão no mesmo sentido dos médicos, advogados, enfermeiros, arquitetos; não há regras a seguir, não há carteirinha ou Conselho Regional. Não existe registro na carteira de trabalho ou concurso público. Aprender a escrever é aprender a lidar com o próprio talento, saber vendê-lo se necessário (se for essa a intenção), saber expressá-lo, saber usar as ferramentas da escrita a seu favor. Ser escritor é um caminho solitário (daí a necessidade de conhecer os hábitos dos outros).
É aí que entra a minha maior preocupação: qual a responsabilidade de alguém com o seu próprio talento? Aqui vamos definir talento não como uma habilidade natural, mas como um amálgama de vontade, técnica e sensibilidade artística. Quantas vezes me deparei com textos maravilhosos, muito bem escritos, vivos, interessantes, empolgantes, textos que carregam a fogo sagrado, o fogo da criação, o fogo de Prometeu? Eu penso, ao fim dos cursos e dos semestres, o que esses criadores vão fazer a respeito? Não haveria, no artista, uma responsabilidade de manifestar o seu talento? Não estou dizendo que esses alunos estejam prontos. Mas há uma sugestão, às vezes, de que se eles continuarem fazendo o que estão fazendo, algo grande vai acontecer. Ou ainda: quanta gente por aí carrega essa chama da criação mas nunca fizeram, nem vão fazer nada a respeito? E não estou falando aqui de escrever como forma de expressão, como uma mera experiência criativa ou hobby de fim de semana. Essas formas de escrita tem seus méritos. Escrever pode ser até uma ferramenta terapêutica, muito válida para ajudar alguém a entender e organizar seus sentimentos, mas falo de um compromisso maior. De uma consciência de sua própria paixão; uma vontade de persegui-la que assombra, que não nos deixa em paz.

Bernardo Bueno