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VÃO PENSAR QUE ESTAMOS FUGINDO!
A HISTÓRIA DE UMA VIAGEM QUASE IMPOSSÍVEL

MOACYR SCLIAR, sobre este livro:
"uma grande contribuição para a nossa literatura
e para a nossa cultura".
Neste ano
de 2008 observa-se a edição de muitos livros [e de resto, de filmes,
documentários e até comercias de TV] que tratam da vinda da Corte
portuguesa para o Brasil. Com maior ou maior fidelidade e resultados
estéticos, essas peças e documentos fazem chegar ao leitor um bastante
completo quadro político, moral e social da época em que Napoleão e seus
exércitos assolavam a Europa e, como num golpe de mágica, extinguiam
dinastias e coroavam reis de opereta. O Brasil entra nesse quadro como a
nova sede da monarquia de Portugal, resultado direto da vinda do
príncipe Regente, sua família e toda a burocracia do Estado.
Este livro não pretende ser mais um a tratar
desse assunto, nem colaborar para a saturação do mercado, repetindo o
que outros já disseram. Sua diferença está em dois níveis: em primeiro
lugar, é um livro que se destina ao público jovem [embora as leituras
prévias tenham demonstrado que podem ser acompanhadas, e com ganho e
prazer, pelos adultos]; em segundo lugar, é um livro que fixa seu olhar
exclusivamente sobre a longa viagem marítima de Lisboa à Bahia e depois
ao Rio de Janeiro. Foi, pode-se dizer, uma viagem épica, em que o motivo
condutor tem como mote uma frase de Napoleão em Santa Helena, de que D.
João foi o único príncipe que o havia enganado. Foi épica pela
quantidade de circunstâncias enfrentadas – e vencidas. Foi épica pelas
poderosas e dramáticas forças em jogo. Foi épica, enfim, pelo drama
pessoal de D. João que nesta viagem, foi capaz de refletir não apenas
sobre o destino da Casa de Bragança, mas sobre seu destino pessoal de
homem fraco por natureza, mas forte quando os fatos assim o exigiam. E
isso tudo ocorre entre as ondas do Atlântico, em meio a pragas de
piolhos, enjôos, nobres esfarrapados, má comida, má bebida, ausência de
privacidade e tramas familiares.
Escrito em linguagem límpida e cativante, a
premiada autora Valesca de Assis vai construindo seu texto como se fosse
uma longa história contada ao pé do ouvido, uma história em que o leitor
tomará contato com questões ainda nunca declaradas. Pela mão de quem
sabe escrever, é desvendado todo um universo de intrigas, contradições,
amores e ódios. Um universo que conquista o leitor da primeira à última
página e que, nas palavras de Moacyr Scliar, "a notável escritora
Valesca de Assis narra ao público jovem, com vivacidade, com humor e
conhecimento".
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VALESCA DE ASSIS
Licenciada em Filosofia.
Professora. Tem atuado em atividades culturais, chegando à função de
Presidente do Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Sul.
Estreou como escritora com a publicação de A valsa da medusa
(1990) Publicou depois o romance A colheita dos dias (1992), O livro
das generosidades (1997), Harmonia das esferas (2000) –
PRÊMIO APCA/2000: REVELAÇÃO DE AUTOR (Associação Paulista de Críticos de
Artes), e finalista do Prêmio Açorianos. Diciodiário é de 2005.
Participa, ainda, de diversas antologias, dentre elas: A cidade de
perfil (1994), Nós, os teuto-gaúchos (1996), Crônica & Cidade
(1997), Receitas de criar e cozinhar (1988), O livro das
mulheres (1999), O João Carlos (org. David Coimbra, clicRBS,
2000, Capítulo 8), Meia encarnada, dura de sangue (org. Ruy
Carlos Ostermann, 2001), Contos de Bolso (2005) e Contos de
bolsa (2007). |