|
Autor
Martha Nussbaum
Ilustração Ana Fonseca
Gênero filosofia
Ano 2004
Especificações 62p. ; 21x11,5 cm
Preço R$ 18,00 (comprar)
Sobre a autora
MARTHA NUSSBAUM (1947- ) é professora
de Direito e Ética na Universidade de Chicago. Associada ao departamento
de Clássicas, filiada ao Comitê para Estudos da Ásia e membro do Comitê de
Estudos de Gênero, é uma das mais inovadoras e influentes vozes do cenário
filosófico atual. Como pesquisadora, tem-se ocupado dos problemas de ética
relacionando diferentes manifestações da cultura: literatura e poesia com
história da filosofia e política. Tem também tornado visível a presença do
passado no presente e a continuidade de questões que pareciam corresponder
a épocas histórias específicas. |
|
RESENHA
Ao descer ao Pireu com Gláuco, Sócrates foi abordado por seus
concidadãos que o obrigam, em nome da maioria, a participar duma pequena
discussão filosófica. Com esta passagem quase teatral, Platão e Nussbaum
apresentam cenário, personagens e histórias da liberdade de escolha e da
deformação do desejo numa democracia.
O tempo histórico da escrita platônica é Atenas do século V a.C. O
personagem Sócrates retorna no texto d'A República, trazendo consigo a
discussão sobre os limites da democracia a partir da educação moral e da
formação do desejo. Sócrates renasce, na visão platônica, para desafiar a
democracia que o havia injustamente assassinado em 399 a. C.
Marta Nussbaum repensa da fragilidade de duas democracias, a ateniense e a
moderna, nas quais os desejos se impõem. Platão e Nussbaum discutem os
limites da democracia, a partir da deformação do desejo. A democracia na
República de Platão está sofrendo um golpe fatal no momento em que
Sócrates propõe medidas públicas para disciplinar os desejos. As propostas
de Platão, por Sócrates, ferem o direito de livre escolha dos indivíduos,
criando uma artificial divisão de estamentos, eliminando núcleos
familiares, censurando a educação pela vigilância do conteúdo de histórias
e de obras de arte, e propondo os filósofos como governantes, ou seja, a
minoria que emergirá da escura caverna e que fixará seus olhos na verdade
sob a luz do dia.
Nussbaum com sua lanterna emerge do fundo da caverna escura e diz que não
devemos esquecer a obra de Platão, se não pelo conteúdo específico de suas
propostas, pelo menos em relação ao modo como apresenta questões morais.
De fato nossa sociedade não é perfeita, ao contrário, vivemos numa
sociedade agressiva, dirigida pelo ódio, e relativamente injusta. Contudo,
Marta Nussbaum crê que a discutibilidade dos valores que fundamentam ações
em sociedades democráticas não é motivo para a remoção das liberdades que
permitem a diversidade das ações. Neste sentido, Nussbaum estabelece uma
discussão sobre o conflito entre liberdade de escolha e deformação do
desejo em nossa democracia e em regimes não-liberais, que sustentam serem
incompatíveis liberdades políticas e bem-estar humano. Nussbaum substitui
a discussão filosófica platônica baseada em verdades absolutas, por outra
baseada no discernimento ético, como nos ensina Aristóteles. Em suma,
Nussbaum nos convida para uma reflexão sobre liberdades que se apresentam
como negociáveis e como não-negociáveis, constituindo, desse modo, uma
permanente tensão.
 |