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aos mangues do cocó
:protegidos pelos mangues. viajamos pelos lençóis do maranhão. onde se
vivia do luar. lugar onde o sal nasce antes do sol. quando vêm os
safristas, o inverno fica triste pelos coalhadores. dizem os pescadores
que um dia o mar vai varrer tudo e a ilha de alcântara irá desaparecer
do mapa. mas antes que esta maldição de ana jansen se realize: pescamos
nosso barquinho inventado e seguimos viagem em direção às encostas do
piauí. à noite, no alto mar, as estrelas ficam salientes para nossos
olhos de mangue. à base de tiquira e farinha de puba, fizemos festa com
o camurupim pescado. era uma manhãzinha, quando o sol nos acenava à
paisagem ainda virgem do delta do parnaíba. os caranguejos brindavam
esconde-esconde de bunda pra lama. não sabiam o tamanho do buraco negro.
ainda vimos o cabeça de cuia, lenda que até hoje percorre as veias do
povo do rio poty. o mar brabo de camocim nos seguiu. no meio dos
bregueços: um pão velho, o poema uivo de alen ginsberg, ¼ de luar. o
vento desorientava a embarcação. o sol cegava para a cidade de
fortaleza. chegamos tarde, mas ainda deu tempo de carregar as palavras
na peneira e devolvê-las à praia do futuro. o mar do futuro é grande. e
está cheio de palavras. palavras feitas de sal.
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Tânia Lima
Tânia Lima nasceu na ilha de Igoronhon-Lençóis, MA. Morou em Fortaleza e
atualmente reside no Recife. Doutoranda na Universidade Federal de
Pernambuco. Publicou Pedra do sol (1996 – com dois poemas
premiados no Rio de Janeiro e Brasília); O livro do abrigo (2000); a
crônica O andarilho dos mangues – (prêmio ecoturismo uma grande
aventura — promovido pelo jornal O Povo, Ceará — 2001); A bela
estrãgeira (Prêmio Xerox do Brasil, São Paulo, 2001); brenhas –
um poema (2003); Nus mangues (Prêmio Redescoberta da
Literatura Brasileira — promovido pela revista Cult, Rio de Janeiro,
2003).
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