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caminhar na praia
primeiro, a espera. olhar o relógio, sentir o seu compasso por alguns
minutos, quase meia-hora parada e, séria, olhar para trás com um beijo
no pescoço. é ele. e começar a caminhar, lado a lado com o mar. as mãos
começam com os mindinhos encontrando-se. caminhar de mãos dadas na
praia, cedo da manhã. ver o seu tênis descolando. ficar calada. guardar
aquilo com carinho também. segurar a onda. os pensamentos que vêm e vão.
isso por uma hora. percorrer uma extensão de terra. sentir-se também um
pouco estrangeiro. sou uma parte desse mar. o andar, equilíbrio e
desequilíbrio, mover-se. ser capaz de pressentir quando ele vai olhar.
retribuir e ver o cinza do céu. pingos que aos poucos ganham corpo.
procurar abrigo. aquele peito basta.
bel ballare
com a ponta dos pés ela desenhava animais no ar. assim dançava, a
pequena bailarina. um dia, fez um elefante misturado com zebra. e seus
pés faziam listras no ar. seus pais pararam o almoço e viram a pequena
desenhista criando mais um animal para que eles adivinhassem qual era. e
ria quando não sabiam. prosseguia em mímica com os pés. a pequena não
entregava o jogo. e quando os pais cansavam, ela saía para o jardim e
procurava pequenas companhias. embuás, cigarras, formigas – e
imitava-os, dançando, desenhava também aviões com os pés. ria. ria muito
quando o desenho era grande demais e ela caía.
instruções para indecisões
primeiro é necessário que surjam caminhos. para a dúvida. optar é uma
questão importante. daí vêm as situações que podem [digamos, devem] ser
de risco. o risco é de uma perda. é fundamental um pesar rochoso. não se
sabe ao certo se para equiparar pesos, medidas. o próximo passo é deixar
tudo como está em uma espécie de incubadora. esperar uma maturação.
eliminadas as possibilidades, talvez surja o pensamento de voltar atrás,
testar outra possibilidade. pode não ser tarde. nessas alturas deve-se
compreender bem os haveres da palavra não.
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Eduardo Jorge (1978)
Eduardo Jorge nasceu em Fortaleza, CE. Co-edita Gazua, revista de
poesia. Tem textos publicados em várias revistas nacionais. Pesquisa a
obra do poeta Horácio Dídimo (Prêmio II Edital de Incentivo às Artes —
Categoria Pesquisa/Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, 1995) e
também as possibilidades da literatura e novas tecnologias (II Amostra
Nacional de Clipoemas, Curitiba, 2002). Editou uma plaquete chamada
San Pedro (2004).
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