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ao tio
chamavam de louco pelo seu balançar alto bem alto balançando a rede ele
e sua latinha
(lata de quê, tio? de som. )
balanço de rede e batedura de lata qual mais alto nem se sabe
nem se sabe também que certo dia no balançar alto de rede com lata e
tudo o velho escapuliu pra cima quebraram as telhas ou o teto se abriu
se abriu para que lá sobre a cabeça dos caretas o tio louco pelo seu
balançar alto mais alto balançando o telhado barro vermelho apreteado
pelo sol em rebuliço o sol também, mas o barro mais rebuliçado no
balanço do telhado e batedura da orquestra de lata
(a fé das águas pluviais dali vistas ali não choviam em respeito-mor ao
tio louco que dali via a água sendo o lençol que ele não tinha
¿qual a graça
da noite senão a defesa do sangue a palmadas)[quando aos dezessete o
tio, que diziam louco, deitado no gramado daquele rio assistia aos
amigos carregando galões de vinho nas costas sobre sua cabeça passavam
passavam abrindo as pernas subindo os pés sobre seu corpo e do seu corpo
os galões cada vez mais próximos pertos, pertos e nulhares, zás
viu abortos, nêutrons, sentiu o purgatório na boca de uma das suas mães]
mas, ali no seu balanço do telhado alto mais alto não sabia de efeitos
de balões ou de galões nem se sabe também com lata e tudo
no certicíssimo dia o velho escapuliu pra riba quebraram os vidros
ou do céu o piso se abriu
e ele lá para que sobre a cabeça dos caretas pisasse sem que as pedras
ferissem seus pés para balançar de cá pra lá
com a lata-órgão-piano nulhares, zás
Só quando lia, o tio parava e resmungava:
¿por que dói tanto

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Daniel Glaydson (1985)
Daniel Glaydson Ribeiro nasceu em Picos, PI. Funcionário Público Federal
e estudante de Letras na Universidade Estadual Vale do Acaraú, em
Sobral, CE. Editor da revista virtual de literatura www.famigerado.com.
Tem poemas, artigos e ensaios publicados em jornais, revistas e em sites
na internet. Reside em Sobral
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