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O louco enterrou
seu pressentimento
em caixa de sapatos.
Era noite.
E antes que a chuva
engolfasse o bairro.
Depois foi dormir.
Pingo sim, pingo não.
De ouvido e afino
contou todas as gotas.
Elas eram um refrão.
Entre gota e outra
mesmo na chuva cerrada
havia sempre descaso.
E o pressentimento pulsava
em sua fronte como uma corola.
Chuva passou.
Louco dormiu.
Mas entrou a sonhar que morria.
Morreu.
E o pressentimento
o ressuscitou ao terceiro dia
na forma de um belo par de mocassins.
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Ruy Vasconcelos de Carvalho, professor universitário,
publicitário e tradutor free-lancer. Participou de algumas antologias e
publicou em diversas revistas e jornais no Brasil e no exterior: Boxkite
(Sidney), Magyar Napló (Budapeste), Espéculo (Madri), Suplemento de
Minas (Belo Horizonte), Ciberkiosk (Lisboa), Inimigo Rumor e
Vivercidades (Rio de Janeiro). Em 2001, editou uma pequena biografia de
poeta cearense, José Albano: Errante e Peregrino (Edições Demócrito
Rocha). Seu único livro de poemas, 39 amostras de conversa, permanece
inédito.
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