A cidade acordou ocupada.

Ao amanhecer tudo estava em poder deles.

Duas éguas baias, postadas à frente da igreja, revistavam as mulheres que se dirigiam à missa, cobertas pelas mantilhas. Cheiravam-nas e levantavam as suas roupas, sem levar em conta os seus protestos.

Quando o carteiro chegou ao prédio dos correios encontrou um ruço de passo miúdo a abrir todas as cartas, e a ordem seca, ríspida, para que sentasse e esperasse.

O cabo Valfrido e os três soldados foram trancados por um casal de tordilhos de crinas encrespadas, que ficaram examinando as poucas armas, enquanto uma égua rosilha jovem, ancas largas, chegada depois, dirigia-se à cela dos fundos onde os dois prisioneiros, pivôs de toda a situação, aguardavam assustados o interrogatório.

Às nove horas o líder entrou na casa do Major. Todos o viram passar, um grande corcel negro, os cegos olhos refletindo os diversos azuis da manhã, guiado por duas potrancas brancas e escoltado por uma guarda de potros alazões.

Não se sabe o que conversaram durante aquela interminável hora, mas quando partiram as mães tinham motivos para chorar pelas três décadas seguintes.

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Joan Edessom de Oliveira
nasceu em Cedro, Ceará, em 07 de novembro de 1965. Licenciado em Pedagogia. É professor do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú.
Em 1996, ganhou o Prêmio Cidade de Fortaleza, na categoria poesia; em 1997, venceu na categoria conto na categoria conto, além do Prêmio Farias Brito de Literatura, na categoria poesia; em 2000, ganhou mais uma vez o Prêmio Cidade de Fortaleza na categoria conto e o Prêmio Domingos Olímpio de Literatura também na categoria conto; e, em 2001, ganhou, na categoria poesia, o Prêmio Domingos Olímpio de Literatura e o Prêmio Ideal Clube.
Publicou, em 1999, o livro de poesias Com margaridas nos olhos, obra premiada em 1997, no Prêmio Farias Brito de Literatura, e editada pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará.