Aqueles olhos

O vinho derramara-se sobre o tapetinho da entrada, salpicando-o de manchas, sobre um pequeno pedaço do carpete, sobre sua calça. Não podia acreditar no que via. Ligeiramente embriagado, Flávio recordou-se no entanto da proprietária sempre a falar muito do perigo de que o carpete manchasse - insistindo sempre que a bebida era um perigo e que ele devia evitá-la. Como, caralho, a garrafa havia escorregado de sua mão?! Só podia ser mau agouro de Frau Hellschoss!

Que fazer? Limpar o carpete, o tapete, as calças - não queria vê-las manchadas. No fim quase tudo funcionou, o vinho desaparecera, a limpeza estava completa e o aquecimento se encarregaria de secar o carpete e o tapete. Apenas as suas calças, mesmo depois de esfregá-las com vigor, continuavam manchadas. Mas podia levá-las para a lavanderia e, provavelmente, também ficariam como novas. Relaxou.

Somente até reparar que uma ponta do lençol estava manchada. Ao levá-lo para o banheiro Flávio notou que também havia manchas no chão de madeira do corredor. E - puta que o pariu! - o tapete branco da entrada havia recebido o seu quinhão de respingos. Aliás o mesmo ocorrera, não podia atinar como, com o tapete do banheiro! Tirar o vinho dos materiais brancos seria quase impossível. Heroicamente conseguiu fazer quase sumir a mancha do lençol - e, depois de seca, a colocaria de forma que ficasse escondida em um canto da cama junto à parede. Mas que fazer com o diabo do tapete posicionado logo na entrada do apartamento, e com o tapete listrado do banheiro?

Por mais que se esforçasse, as manchas não saíam. Pior, tornavam-se cinza claro azulado e se dilatavam à medida que ele lavava os tapetes, tentando livrar-se delas. Teria de contar o desastre à dona do apartamento de manhã.

Sozinho em casa, em pleno inverno berlinense, com um frio de lascar pela proa e pela popa, recorrer a um pouco de vinho tornara-se um hábito para ele. Se alguma namorada surgia, se algum amigo o procurava, podia até dispensar o álcool cujas calorias o aqueciam naquelas noites brancas em que os termômetros desciam muito abaixo de zero grau centígrado. Todavia, quando a solidão se fazia absoluta, quando sequer caminhar pela cidade, ainda cedo, se mostrava impossível, por que declinaria dos vinhos, alemães ou estrangeiros, os quais lhe proporcionavam o país e o mercado comum europeu? Sempre tomara cuidado com o excesso de bebedeira e as conseqüências que ela poderia trazer. Aquele dia tinha tido azar - ou bebera realmente demais. Agora a questão era aguardar a manhã e dar conta das coisas que restava equacionar. Tudo ficaria, enfim, resolvido, como se não tivesse ingerido álcool nenhum, nem houvesse o vinho escorregado de sua mão e se esparramado a esmo.

Acordou no dia seguinte meio grogue, com a campainha da porta tocando. "Moment! Warten Sie, bitte!", gritou saltando da cama e dirigindo-se ao banheiro. Que esperassem um pouco! Logo depois, ao abrir ele a porta do pequeno apartamento, a proprietária sorriu e fez menção de entrar - como de hábito para vigiá-lo, checar se estava tudo em ordem; o pretexto no caso era o aquecimento, queria verificar alguma coisa. Flávio lhe deu passagem, movendo-se para o lado, e foi então que percebeu, quase deixando escapar um impropério: havia uma grande mancha de vinho na lateral forrada de pano da cama, bem na quina, na qual, na confusão e na pressa de limpar os tapetes e o lençol, não havia reparado. Mas Frau Hellschoss parecia não haver nem de longe tampouco notado. Ela era uma senhora até simpática, embora intrometida, e um pouco bizarra, com sua voz metálica e o andar meio manco, completando a sua figura a bengala de madeira entalhada que usava para poder levantar-se e caminhar. Vivaz, afora por esse defeito na perna e pelo cabelo absolutamente branco, era na verdade difícil crer que beirasse os oitenta anos de idade.

Enquanto pensava nas conseqüências possíveis do acidente noturno com o vinho, absorto em seus pensamentos Flávio não viu quando Frau Hellschoss recuou dois passos e perdeu de vez seu equilíbrio sempre precário ao tropeçar em uma sacola que ele esquecera quase no meio do quarto. Quis ajudá-la enfim, quando a notou caindo, porém tarde demais: perdeu-a por uma fração de segundo. Ela despencou e ao fazê-lo bateu a cabeça na cama, exatamente onde se localizava a mancha de vinho. O impacto a jogou de novo para frente, suavemente. Terminou estirada de lado sobre o carpete, como se apenas descansasse.

Projetou-se para socorrê-la e foi então que percebeu o sangue em sua nuca, bem como na cama. Ela estava inteiramente imóvel. Temendo quebrar-lhe alguma coisa ao movê-la, principalmente o pescoço, Flávio deixou-a de lado e tomou assustado seu pulso. Nada. Tentou novamente, afinal não era médico, mas não havia dúvida: a morte fora instantânea. Estarrecido, pensou no que fazer. Chamar a ambulância seria talvez óbvio, todavia inútil. E se concluíssem que ele era o responsável por sua morte, que ela caíra porque a empurrara? Afinal poderiam ter tido alguma altercação por conta da mancha de vinho, imaginou - e supôs que poderiam imaginar também -, mancha a qual a polícia certamente encontraria se decidisse investigar a ocorrência.

E se a levasse para casa? Mas havia sangue na cama. Se, contudo, lavasse o sangue - com vinho! - ninguém notaria... Era só levar a velha de volta para sua casa e bater suavemente a sua cabeça em algum canto, colocando algo no chão para induzir a idéia de que ela, cujo andar era sempre meio bamboleante, tropeçara. Depois, uns dois dias mais adiante, poderia chamar a polícia dizendo que estranhava não vê-la há algum tempo, e ainda passaria por um bom sujeito. As chaves de sua casa certamente estariam em seu bolso - como de fato estavam - e como ela morava exatamente no andar de cima não haveria qualquer problema para armar o cenário imaginado. Aliás, já havia notado que a porta era de bater. Isso lhe permitiria simplesmente sair sem precisar carregar as chaves, tendo antes as posto no bolso de Frau Hellschoss; obviamente sem deixar impressões digitais, para o que bastava manipulá-las usando luvas.

Esperou pela noite, incomodado e ansioso com a presença da morta no chão de sua casa, e nervoso após a tentativa de disfarçar seu sangue na cama, usando vinho para lavá-lo. Como fosse bastante forte não teve dificuldade excessiva para carregar o corpo frágil e leve de Frau Hellschoss escada acima, silenciosa e furtivamente. Abriu a porta segurando as chaves com um pano e depositou a velha proprietária junto ao sofá - contra o qual bateu de leve a sua cabeça, deixando lá uma pequena marca de sangue. Em seguida, utilizando uma sacola cheia de bujingangas, a qual achou na cozinha, para imitar a situação que realmente ocorrera em sua própria casa, completou o cenário do acidente fatal. Respirou fundo, pôs as chaves no bolso de Frau Hellschoss e bateu a porta atrás de si. Agora era só esperar uns dois dias, telefonar para a polícia e dar o assunto, pelo menos o de sua morte, por encerrado.

No dia seguinte foi acordado pela campainha. Surpreendeu-se: era estranho ainda assim tão cedo e inesperadamente alguém o procurar. Eram apenas nove da manhã. Pediu que esperassem, levantando-se para ir ao banheiro. Dormira de jogging, e uma vez de cara limpa e cabelo penteado abriu a porta.

Uma senhora de cabelos brancos, de expressão vivaz, que nesse sentido até lembrava a falecida, aguardava por ele. Apresentou-se como Frau Geheimnisvoll. Queria saber de sua amiga Frau Hellschoss. Tocara a campainha dela e ninguém atendera. Estranhara e resolvera informar-se no apartamento que, sabia, ela alugava. Teria ele a visto hoje, por favor?

A pergunta era obviamente sem sentido. Evidentemente ele tinha acabado de se levantar. Confuso, com o resto do sono na boca e no cérebro, e um pouco assustado, por imaginar que a situação poderia se precipitar, Flávio respondeu dizendo que na véspera Frau Hellschoss lhe teria revelado por acaso a sua intenção de viajar. Em lugar de tranqüilizar-se, Frau Geheimnisvoll arregalou os olhos e, em um tom que lhe soou como de desconfiança, perguntou se ele por acaso saberia para onde ela pretendia ir. Não, respondeu, ela nada dissera sobre isso; contudo, havia indicado que a viajem seria curta. Olhando-o, ele tinha certeza, agora permanentemente de soslaio, Frau Geheimnisvoll agradeceu. Quando visse Frau Hellschoss novamente, pediu-lhe ela enfim, fizesse o obséquio de dizer-lhe que a havia procurado. "Danke schön, Bitte schön, Aufwiedersehen, Wiedersehen": despediram-se e ele fechou a porta tão logo a intrometida senhora deu-lhe as costas.

Caiu então em si: tinha estragado todo o plano e se enredado em uma estúpida história sobre uma improvável viajem de Frau Hellschoss. Não poderia avisar ninguém de seu silêncio, pois afinal agora supostamente tinha a informação de que ela estava viajando. E, pior ainda, o olhar de estranhamento de Frau Geheimnisvoll o continuava acompanhando, inclusive sem a sua presença. Por que havia dito aquilo, por que se traíra daquela maneira estúpida, como se quisesse complicar as coisas, como se desejasse ser pego, como se devesse algo a alguém? Que fazer para equacionar agora a situação?

Primeiro era necessário controlar a ansiedade para não fazer mais bobagens - devia principalmente manter-se calado. Resolveu ir à universidade e comportar-se da forma mais natural possível.

Vestido para encarar o frio rascante que fazia lá fora (decidira levar a calça na lavanderia somente depois, com outras roupas), Flávio ganhou a rua e, após fechar a porta do prédio, contemplou a vista à sua frente. E lá estava ela, Frau Geheimnisvoll, ao lado da cabina de telefone público, seus olhos azuis brilhantes mirando-o atentamente. Como se não bastasse, sorriu e acenou-lhe de onde estava.

Nesse momento Flávio chegou a sentir o estômago embrulhado e a cabeça rodar. Uma onda de angústia o invadiu. Conseguiu, todavia, controlar-se. Acenou de volta e, com passos resolutos, dirigiu-se ao U-Bahn. A angústia, porém, não mais o abandonou ao longo do dia. E não havia Ser que assim se lhe revelasse, aí ou ali, a não ser a presença inarredável da morta e de sua amiga enxerida, a qual o rondou durante todo o dia, provocando-lhe medo e asco. Na biblioteca, almoçando no restaurante universitário, conversando brevemente com os colegas, tentando inutilmente concentrar-se na leitura, durante todo o tempo assomava à mente de Flávio, perseguindo-o aonde quer que fosse, o azul dos olhos de Frau Geheimnisvoll (aliás, acabara por dar-se conta, muito semelhante ao dos olhos de Frau Hellschoss). Velha desgraçada, estava tudo tranqüilo até ela aparecer, já para não falar do fato de que afinal de contas ele não era culpado de nada. Àquela altura, porém, quem iria acreditar nisso se ela se imiscuísse realmente no assunto?

Voltando para casa no fim da tarde, tentando concentrar-se na leitura do jornal, estava quase em pânico ao imaginar a possibilidade de deparar-se com Frau Geheimnisvoll diante de sua casa. Ao preparar-se para descer do U-Bahn, no momento em que o trem parou e ele saltou, Flávio deu de cara com uma senhora cujos cabelos brancos e idade avançada a faziam assemelhar-se a ela, embora não tivesse olhos claros, ao menos não azuis. Ele quase gritou. "Mein Gott!", caía em si, tinha de se controlar, senão iria tudo por água abaixo. Afinal, que ele ou ela desse a notícia da ausência de Frau Hellschoss não faria qualquer diferença - o cenário estava armado direitinho e a princípio ninguém teria motivo para desconfiar dele.

Para seu alívio, não havia nem sinal de Frau Geheimnisvoll nas redondezas do apartamento. Respirou fundo e entrou em casa. Tudo em ordem, enfim. Abriu uma lata de cerveja, cortou o pão, ferveu a água para a sopa, tirou o queijo da geladeira e na própria pequena cozinha fez a sua refeição, ligando em seguida a televisão no quarto. Não, as coisas não sairiam dos eixos. Não, ele não tinha feito nada, nem era um personagem de Dostoiévsky, torturado pela culpa. Que se danassem ambas, as duas velhas, Frau Hellschoss e Frau Geheimnisvoll! Ele ia sair limpo daquela confusão, a qual além de tudo não provocara.

Cansado devido à tensão do dia, com a angústia em baixa e sob o efeito da terceira lata de cerveja, logo teve sono. Meteu-se na cama mas não conseguiu dormir imediatamente. Ficava repassando os acontecimentos dos últimos dois dias e, quando fechava os olhos, os de Frau Geheimnisvoll vez por outra apareciam para assombrá-lo. Finalmente apagou. Todavia, a agitação interna que parecia estar sob controle durante a noite emergiu em um sono conturbado durante a madrugada.

Sonhava, sonhava, sonhava. E aqueles olhos não paravam de surgir. Mas não só eles. Os olhos, e a face, de Frau Geheimnisvoll se sobrepunham e confundiam com os da falecida Frau Hellschoss. Aqueles olhos duplicados miravam-no interrogativamente, desconfiadamente, fixamente, reprovadoramente, azuladamente. Assustado, tremendo, acordava, mas, zonzo, voltava a dormir. A dormir e a sonhar com os olhos e faces de Frau Hellschoss e Frau Geheimnisvoll, com um azul que inundava tudo.

Conseguiu se libertar do transe e saltou da cama em busca de um copo de água. Saciado, e após ir ao banheiro, Flávio contemplou a rua em frente por uma nesga de janela de seu quarto. Não viu ninguém. Pôs um CD para tocar, umas vozes brasileiras para lembrá-lo de si mesmo, e tentou desanuviar a mente, distender os músculos: aquilo não fazia sentido, era apenas um ataque de paranóia. Ninguém sabia de nada, nem mesmo a velhinha desconfiada - ademais era somente isso, isto é, uma senhora. Ele sequer cometera um crime e tudo apareceria para a polícia e os médicos, ao acharem a morta, como algo absolutamente plausível. Era só relaxar e deixar as coisas seguirem seu curso natural.

Deitado na cama, acabou adormecendo de novo. A despeito do raciocínio lógico e claro de minutos antes, os sonhos retornaram, apossando-se de seu espírito, como se estivesse enfeitiçado. O mesmo transe, os mesmos olhos, as mesmas faces, as mesmas Frau Hellschoss e Frau Geheimnisvoll, misturando-se e dissociando-se como uma em duas, duas em uma, em um torvelinho azul, incessantemente.

Conseguiu uma vez mais arrancar-se àquele pesadelo alucinado. Em pânico, sentou-se na beira da cama, ofegante. "Scheiss!" Tinha de se controlar, ou acabaria pirando! Logo amanheceria. Precisava manter-se desperto e escapar daquele descontrole que o tomava por completo.

Acordado, as dúvidas o assaltaram. Não teria Frau Geheimnisvoll percebido algo, não chamaria a polícia? E se ela falasse da história da viagem? E se o investigassem e descobrissem que a mancha de vinho era sangue? Se imaginassem alguma discussão, deduziriam talvez que havia assassinado a velha. Cada vez mais tenso e angustiado, Flávio rodava pelo pequeno apartamento à beira do desespero, os olhos claros e azuis de Frau Hellschoss e de Frau Geheimnisvoll, seus rostos, suas interrogações, a acompanhá-lo.

Eram exatamente oito horas da manhã quando a campainha tocou. Sobressaltado e exausto, pensou em se esconder; todavia, decidiu-se a abrir a porta, após alguns instantes de hesitação. Quem seria?

Era Frau Geheimnisvoll. Ao vê-la lá, diante de si, com um sorriso - falso, brutalmente falso! - estampado no rosto, não se conteve e desmoronou em lágrimas, balbuciando que não havia sido sua culpa, que o vinho derramara sim, mas era pouco, e que não a matara, ou que se porventura a tinha empurrado não tivera a intenção de que tudo terminasse assim. Frau Geheimnisvoll olhava-o consternada e pedia-lhe calma, calma, pois não conseguia entender o que ele dizia. Tomado pelo desespero seu alemão ficara incompreensível, em virtude da pronúncia tornar-se ainda mais falha e embolada, por juntar-se ao choro, e por conta do descontrole com que falava. Àquela altura saía ademais misturado com português.

Conseguiu voltar a si e recuperar um pouco do autocontrole, e entender que ela estava ali porque o filho de Frau Hellschoss lhe havia telefonado para saber notícias da mãe. Ela iria visitá-lo na cidade na qual ele agora morava, porém nem lá dera as caras nem atendia o telefone. Frau Geheimnisvoll queria saber se tinha notícias da amiga, mas sentia muito, desculpou-se, ele tinha os seus próprios problemas e ela não tinha a intenção de incomodá-lo.

Frau Geheimnisvoll avisou a polícia do desaparecimento de Frau Hellschoss, o que levou ao arrombamento da porta de seu apartamento e ao descobrimento de sua morte. Tratava-se, supunha a polícia, de um típico acidente doméstico. Ela sofrera uma queda infeliz, situação comum com idosos. Isso era ainda mais provável de ocorrer àqueles que, como ela, sofriam de ostoporose e labirintite, a situação se agravando no caso por padecer a falecida de um bloqueio parcial da movimentação da perna direita. O enterro realizou-se no dia seguinte.

Pouco tempo depois Flávio recebeu a visita de Hans, o filho de Frau Hellschoss. Segundo ele não haveria nenhum problema quanto à sua permanência lá, bastava passar a depositar o aluguel em sua conta - de resto sua mãe comentara que ele era um excelente inquilino. No entanto, Flávio decidiu não ficar. Sentia-se mal, explicou, em pensar que Frau Hellschoss não estava mais por lá, e nas tristes circunstâncias de sua morte, sem que ele, ali tão perto, pudesse tê-la ajudado.

Mudou-se em três semanas. Os dois pares de olhos daquelas duas senhoras, com seu azul claro e brilhante, vez por outra, contudo, até hoje assombram seus sonhos. Nessas horas de angústia e medo desperta berrando forte em alemão que é inocente, que a velha morrera em um acidente - "Ich habe nichts gemacht! Ich habe niemand getoten!". Assim, em geral logo consegue novamente dormir sem que o passado o aflija e perturbe seu sono.

JOSÉ MAURÍCIO DOMINGUES é professor do Iuperj, sociólogo, tem vários livros publicados nessa área, no Brasil e no exterior.