Ilustração: Edvard Munch

Preliminares do aborto Amor

Vinicius Chukro
(Marcus Vinicius Leite Batista)

Não sei desenhar, só sei e mal é desenhar palavras. Palavras sem jeito, tortas por ingratidão,.. diz-solvidas em aço pura laço .., flor sem copo d’água. Solidão.

         Cada verso é inezistência, cada ato-insônia. E assim foi se definhando o feto do afeto amor no cotidiano. O texto será uma parábola reta e turva, toda reta infinita num traço mal acabado de finita tristeza, Espero.

Acordado pela madrugada, mediunizo o cimento do verbo. Ser ou Estar? Estar de coisa remota, prolixo, pró ao lixo, sou estado do é – tramando contra o destino – o cardume maior do âmago remeto-me ao ciúme em tango.

         E foi como um golpe tão inesperado como o tato a cheirar de colo o estrago. Amar é se estragar, é contaminar-se pelo corromper o olfato dor.

         A menina de camisola saiu pela porta, sem medo do destina-escondido, atrás de um Jesus-junkie q sorria por estar atrás de uma fotografia dela ou do mundo periférico ki lhe remetia o primeiro encontro. um beijo. Em um mês. o Sexo. Lágrimas de soluço. Esquizofrenia mediúnica. Um colapso. Resignação. Encontro do óbvio. Em um ano. Si Perdeu. Ou. Se. Desencantou?

         Qual será o retrato falado, a fagulha do pentelho entre os dentes. Sexo oral. Cogitaram Anal, mas por precaução escolheram o tempo. No tempo. Do tempo por mais tempo, ! , em qui tempo teremos tempo para o tempo, ? .

         Chorar em palavras. Mal-criadas em serem nuas e reticentes aos olhos alheios sem nenh-uma ter uma ter-nura. Confluente, condizente. Mórbida no etecetera.

         A menina correu, pediu ao tempo para brincar de esconde-esconde com a saudade, se diz ser imatura. Verde, pra que te quero ver-te? Ela não falava con-tudo assobiava o nada. O que vc tem? Nada. Por favor, me diga? Faço-te sofrer.

         Sofrer como morrer. Sofrer comendo o dizer. Ela, a menina, sente falta dela mesma. Quer si descobrir, cobrir o lençol como campo de força contra a escuridão. Um conto? Não conto! Por dois contos? No conto! Espalhada espelhada no ar ela chorava, era a forma de expressar. Te amo! Também. E nós? Estamos bem! Como assim? Tudo é experiência.

 

Experimental.

 

Ciência, a ciência de rir, correr, viver, escovar os dentes. Escrever. Mentir-omitir. E ser. Ser de ligação, mais fácil sendo visto como metáfora ou não.

         A menina, ela, deu um derradeiro abraço, não para o final da istória dela com o Jesus-junkie, mas um abraço para o Tempo. Eles morreram naquele instante, a mudança veio em cataclismas de ultra-segundos. Sentiram que necessitavam ressuscitar.

        

“amigos para sempre é o que queremos ser”

 

         Uma porra, dois caralhos,5 putaquepariu, e 7 vai tomar no cú. Disse Jesus-junkie... e assim seja vossa vontade.

         O medo é o maior desejo. Letra por letra na cabeça da folha virgem do papel. Quem lerá este suicídio de forma ininterrupta e enchargiada de sombras lingüísticas de in-utilidade. Talvez um prefácio fosse o enfoque dos caminhos a serem percorridos entre a fábula do amor e a hiroshima das palavras.

 

Cai um céu

E ele continua lá em cima.

        

A poesia pra vender na feira, pra dar lu(z)a aos olhos de estrelas. E o que ganha com isso ? A menina e o seu Jesus-junkie ?

 

Imaturos complacentes com o distúrbio da placenta da rotina que suga o sangue, vampiriza, tempestades de dúvidas, Sangue(s)suga os prazeres que se foram em algum dia. Os dois e eu ficamos perdidos no labirinto da semiótica.

·        A menina com a tristeza de se buscar alegria.

·        Jesus-junkie com suas penitências, cobrando ser a vitima de letargia.

·        E eu símbolo narrador de um amor borrado de falsa hipocrisia.

 

Em resumo em sumo, o que falta é poesia.

Marcus Vinicius Leite Batista (VINICIUS CHUKRO). Tem 20 anos, e está testando palavras. É que sou sócio-fundador de uma companhia recente de teatro chamada Pénupalco e realiza curtas-metragens como ator e diretor.