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O Dragão Que Queria Ser Homem
Eu sou um Dragão como outro qualquer, sem no entanto, ter nunca
conhecido outro Dragão vivo ou semelhante, ou sequer, sem saber a minha
origem. Não sabia onde nascera, nem fazia ideia alguma quando nascera,
ou, quem teriam sido seus Pais, se é que, alguma vez os teve! Talvez
até, tivesse nascido de um simples acto de mágica!...
No entanto, sentia-se bastante jovem, apesar de sentir, ter pelo menos,
uns bons milhares de anos, pois, havia testemunhos e tradições sobre
Dragões, por todo o lado do Mundo por onde havia passado, e de épocas
longinquas e bem distintas.
Onde mais parece haver fortes tradições sobre Dragões, é, sem sombra de
duvidas, em todo o Sudoeste da Ásia, incluindo a China, a Coreia e o
Japão.
Na Europa, sobretudo a simbologia e a presença da tradição do Dragão,
faz-se sentir nos simbolos heráldicos, sobretudo, nos da Idade Média, e
nas lendas e estórias de alguns Povos antigos, com grande destaque para
os Celtas, Normandos e tantos outros, etc...
Havia conhecido pessoalmente, lendárias figuras tais como Krishna,
Zoroastro, Akhenaton, Moisés, Sidharta Gautama "Buda", Confúcio, Lao
Tsé, Emanuel Joshua "Jesus Cristo", Kutumi, Mohamed, e tantos outros, de
tantos outros Povos, em todo o Mundo.
Em todas estas minhas andanças ao longo do tempo e por muitas terras,
nunca havia conhecido outro Dragão que, não fosse eu próprio. Estava
inclusive, convencido que, o único Dragão existente, e, na base de todas
estas tradições, feitas notar um pouco por toda o lado na Terra, era eu
mesmo.
Durante muito tempo, havia andado e vivido livremente por todo o Mundo.
Havia estado em todos os Continentes, passado por densas Selvas de um
verde intenso e povoadas por seres exóticos de multiplicidade infinita
de espécies, tendo nadado e mergulhado nos Oceanos, Lagos e Rios, de
todos os cantos do Planeta.
Um dia, no entanto, um incidente de relevo, mudou tudo isto, e
transformou de forma radical a minha vida de Dragão.
Por vias de ser um animal estranho, raro e único, e com o aparecimento
das grandes Religiões, fui sendo, pouco a pouco, cada vez mais
perseguido pelos diversos Povos do Mundo. Assim, vivia então, durante o
inicio da obscura Idade Média, numa gruta algures na Europa, quando os
Povos em redor, com o advento do Cristianismo, foram ficando cada vez
mais alarmados com a minha presença na Região, inventando para o efeito
que, eu era, nada mais nada menos que, a encarnação do Diabo. Uma vez
por outra, vinham em magotes até à entrada da caverna e atiravam
archotes ardentes lá para dentro, provocando a falta de ar no interior
da gruta, procedendo a rezas esquisitas, de quem pretende afastar algo
indesejado ou mau!
Nessas alturas, era obrigado a correr esbafurido lá para fora, a fim de
meter lufada renovada de ar fresco nos pulmões aflitos e ardentes de
intoxicação, provocada pelo excesso de anidrido carbónico ingerido em
consequência. Pela força de inspirar e expirar a plenos pulmões,
aflitivamente, com grandes quantidades de vapôr saindo pela boca e pelas
narinas, vindas de meus pulmões, super aquecidos pelo excesso de fumo
inalado; soprando-o na direção da entrada da gruta e da populaça ali
concentrada, provoquei tal alvoroço e desordenada debandada geral que,
esse mesmo Povo, levantou falsos testemunhos, os quais, diziam ter eu
lançado labaredas pela boca e pelas narinas e que estas, lhes tinham
provocado queimaduras nas respectivas vestes. O susto e o pânico
provocados então, ainda haviam sido maiores que o resto, tendo aí
nascido, a lenda de que, eu lançava fogo e chamas pela boca e pelas
narinas.
Um dia, foi chamado pelos Senhores da Região e a pedido do Povo, um
Cavaleiro a quem chamavam São Jorge, o qual, vinha com a missão de
liquidar ou de ver-se livre do Dragão que, não passava do Demónio
disfarçado, e que, vinha amedrontrando a todos, até então.
Armado de armadura sólida e pesada, e de uma longa lança e uma grande
espada, lá veio ele, montado hirto, em seu cavalo branco, gruta adentro
em minha direção, resolvido a livrar-se de mim de vez. Logo que seus
olhos se adaptaram á penumbra da caverna, e vendo-me, logo
imediatamente, se lançou corajosamente, de lança em punho, dirigida ao a
centro de minha dura couraça fisica, acertando em meu pleno peito, no
interior do qual, meu coração pulsava impávido e sereno, na maior das
calmarias possiveis. Plum, cataplum, plim, plim, plum, plás..., com
.homem e cavalo juntos ao chão, esparramados, escancarados, meios
tontos, confusos e meios desmaiados, ali mesmo á minha mercê.
Lá os deixei refazerem-se e quando tentavam ambos focar a imagem à sua
frente, e, compreender o que lhes tinha acontecido, soprei levemente em
suas direções, até que, estes se refizeram e levantaram. São Jorge, já
refeito e surpreendido que, nada lhe havia acontecido, para além de ter
torcido sua longa lança contra meu corpo, como se fosse um mero alfinete
feito de aço mole e fraco, perguntou: -"Ó Diabo disfarçado! Já que me
derrubaste a mim e ao cavalo, com tamanha facilidade, porque não me
lanças tuas labaredas e acabas comigo, da mesma maneira que eu
tencionava fazê-lo contigo?"-.
Fui dizendo: -"Amigo São Jorge! Não sei bem explicar porquê, mas, algo
me dizia lá no fundo que, mais tarde ou mais cedo, a minha liberdade
seria restringida radicalmente, a partir de um incidente como este,
mudando todo o meu futuro, daí em diante. E assim foi, tendo voçê
aparecido para causar tal mudança, o que tambem, embora pareça estranho,
era previsto em meus pensamentos. Incluindo, até já havia visto isto em
sonhos diversos e em épocas diferentes de minha vida.
E agora, aqui estamos, caro São Jorge, frente a frente, contigo em
posição desvantajosa e à minha merçê, como muito bem o dizes! Contudo,
não está em minha natureza, sentimento ou instinto, tomar vantajem sobre
ti, nem fazer-te mal algum. Por isso, sugiro que façamos um acordo de
cavalheiros, onde ambos, possamos sair a ganhar; pelo menos, sem
perdermos as respectivas honras, ou mesmo, as nossas preciosas vidas
que, mais ninguém, poderá devolver.
Sejamos por isso, justos e tolerantes connosco próprios e saíamos
airosamente, e a contento, desta mutúa e embaraçosa situação."-.
-"Está bem Dragão. Vamos arranjar uma solução para este nosso dilema. Ou
seja! Vamos os dois lá para fora, em tom de refrega, mostrar a todos
que, estamos envolvidos numa luta séria e encarniçada, e após a qual,
após alguns movimentos e algumas estocadas minhas, finges-te ferido de
morte e cambaleias então, para dentro da gruta, onde, todos pensarão
que, morrerás finalmente. Aí, eu entro dentro caverna e ao voltar a
sair, declaro-te morto, trazendo uma de tuas unhas, como prova disso,
para mostrar à populaça, que, de certeza, acreditará nisso, e que, não
mais quererá entrar dentro da caverna, por virtude do medo que,
continuará a vigorar em seu pensamento colectivo.
Após isso, e tendo a certeza que ninguém ficará para trás, eu próprio
retirar-me-ei daqui para sempre, deixando-te á tua sorte e sina, daí em
diante, pois, como combinado, terás de sair daqui sorrateiramente à
noite, e de forma bastante discreta, de maneiras a que, ninguém mais te
veja por estas regiões, nunca mais."-.
-"Completamente de acordo"-, concordei.
Parti então,para sempre, daquele local, para me isolar totalmente das
vistas das populações de todo o Mundo, durante muito tempo.
Refugiei-me nas remotas regiões montanhosas da China, e aí vivi
retirado, nas numerosas grutas, lá existentes.
Umas boas centenas de anos volvidos e chegávamos à época actual. Eu
sentía-me mais triste, nostálgico e só, do que, nunca antes, havia
sentido.
Aparentemente, já não se faziam mais estórias novas sobre Dragões como
antigamente, onde eu, havia estava sendo visto e era estimado por todo o
Mundo. Em algumas regiões do Mundo, havia mesmo sido venerado,
alimentado, protegido e tratado como uma autêntica divindade.
Hoje, não passava de uma lenda e de uma memória longinqúa, aparecendo
ainda, como motivo principal, em muitas tradições populares, sobretudo,
no Extremo Oriente da Ásia.
Não conseguindo aguentar tanta solidão, e ainda por cima, com um
sentimento crescente dentro de mim, à medida que o tempo passava, e que,
me levava, a querer ser um homem.
Era um sentimento deveras estranho e imcompreensivel, mesmo para mim
mesmo, pois, no fundo, acreditava que, isso nunca viria a ser possivel.
De vez em quando, enquanto passava o tempo, dava comigo a imitar o andar
e os gestos usuais, dos seres humanos.
Fiquei tão obsecado com a ideia que, não aguentando mais, chamei,
utilizando meios psiquicos, um grande e velho amigo meu Morcêgo,
residindo lá para os lados das Áfricas.
Este, em espaço de algumas semanas, estava ás portas de minha gruta.
Depois de lhe agradecer a presteza, disse: -"Velho amigo meu, após
longos séculos de retiro e solidão, quero agora ser homem ansiosamente,
e, não sabendo com quem me aconselhar, lembrei-me de ti, que sempre
foste o meu melhor conselheiro, nestas ocasiões dificeis de minha vida.
Além disso e apesar de todo o meu conhecimento e experiência sobre as
coisas e sobre os tempos, desde há milhares de anos, sou mais ingénuo
que, um recem-nascido. Por isso, diz-me o que fazer, para conseguir
transformar-me em homem?"-. O Morcêgo, escutando o que eu dizia, não
disse, mas pensou: -"(Ingénuo, tambem o fui eu sempre!)"-; continuando,
mas já em voz alta, disse: -"Eu próprio, nada poderei dizer sobre isso,
a não ser, convocar os vários tipos diferentes de animais, e perguntando
a eles, o que, sabem eles sobre a coisa, pois, sempre ouvi dizer que, o
homem evoluiu dos outros animais!"-.
Logo, estavam os dois conversando com os outros animais. Era a primeira
vez em séculos que, eu abandonava a proteção segura e remota das
montanhas chinesas, e me expunha nóvamente às vistas dos humanos.
O Morcêgo convocava, negociava e discutia com os vários animais, o que
eles sabiam sobre a questão e, o que, fazer para eventualmente, eu me
transformar em homem.
Os primeiros, foram os do reino dos animais terrestres, liderados pelos
carniveros, sobretudo, felinos, crocodilos, jacarés, anacondas, ursos
polares e mais alguns que, ansiosos, e reunidos num determinado lugar,
apropriado para o efeito, foram logo dizendo o que fazer: -"Dragão! Vês
aquele alto vulcão ali no meio da pradaria, sobe-o e atira-te para
dentro dele, nadando pela sua lava adentro, até alcançares o centro do
magma terrestre. Ali chegado, transformar-te-ás então, num homem.
Vindo atrás de mim, o Morcêgo ainda tentou dizer-me algo, mas, eu,
embuído pela pressa e pela perspectiva de vir a ser homem, tornei-me
surdo e cego, e, lancei-me vulcão adentro, furando o magma com tal
pressa e força, até ao centro da Terra.
Lá posto, nada senti. Nenhuma transformação sentira ter ocorrido, talvez
tambem porque a meio de tal fornalha, não via o corpo. Tudo parecia
arder à minha volta e não fosse o meu duro corpo antifogo, e teria sido
imediatamente consumido pelo fogo extremo.
Quando finalmente, voltei à tona da lava do vulcão, lá estava o Morcêgo,
esperando por mim, para me dizer: -"Olha ali para o sopé do vulcão e
verás leões, tigres, leopardos, ursos, crocodilos e outros carniveros,
todos aguardando que, saias daqui já meio assado, pensando qu,e te
enganariam na certa, ao darem-te aquele conselho."-. -"Pois, então,
verão o que lhes acontecerá a seguir."-, disse eu, abrindo as asas e
expirando vapôr quente pela boca, produzindo um estridente som
arrepiante e forte, na direcão dos bichos que, em pânico, destroçaram em
três tempos.
-"Que fazemos a seguir, caro Morcêgo?"-, perguntei eu. -"Ir ter com o
reinos das aves, as quais, dizem ter conhecimentos mais profundos que os
animais terrestres, sobre como te poderás transformar em homem."-, foi
dizendo o Morcêgo.
Não demorou muito, estava eu voando em direção ao centro do Sol, a
conselho das aves, principalmente, daquelas, de rapina e amantes de
carniça, como condôres, urubus, abutres, águias e outras. Com a
aproximação, ia sentindo as elevadas temperaturas do Sol, apesar da
minha pele antifogo. Passei pelas grandes labaredas expelidas pelo Astro
Rei e mergulhei, que nem uma bala, na corona da Estrela, direto ao
centro.
Outra vez, nada sentia. O corpo, parecia pesar ainda mais do que o
costume, devido às grandes pressões exercidas pela elevadissima
temperatura de milhões de graus centigrados e pela fortissima atração
magnética do centro solar. O regresso, foi penoso mas, lá saí um pouco
estrambulhado e com umas pequenas mazelas, contudo, incólume, o
suficiente. Outra vez estava o Morcêgo à espera, dizendo nóvamente:
-"Olha ali para o lado das nuvens da Terra e verás as aves voando em
circulos, esperando que, chegues meio cozinhado e pronto a comêr,
convencidos que, te enganaram com o seu conselho.".
Abri nóvamente a boca e lancei o horrivel grito, e o vapôr que, desta
feita,, parecia mesmo fogo, em virtude de vir ainda, sobreaquecido pelo
Sol. Acto continuo, e, não se via uma única ave, no horizonte azul.
Os seguintes, foram os peixes, guiados pelos tubarões que, logo se
apressaram a aconselhar-me a nadar até aos profundos abismos do mar e lá
chegado, a mergulhar nas massas espessas de um liquido negro, ali
concentrado há milhões de anos, para que a transformação em homem,
ocorresse. À semelhança das duas vezes anteriores, lá estava o Morcêgo,
a aguardar-me á superficie das águas, para me avisar do truque dos
peixes para me comerem, quando atingisse a superfície, todo contorcido
pelas altas pressões do fundo do mar. Mas, a super rija carapaça de meu
corpo era tão dura e forte que, resistiu a tudo. Os tubarões, lá se
encontravam, desde os mais gigantes aos de tamanho mais modesto, nadando
em circulos.
O susto que lhes provoquei, também causou um pânico tal que, deixou o
mar deserto.
Os ultimos, pelas contas do Morcêgo, acabaram por ser, os próprios
homens, que, liderados por poderosos "Châmanes" e Feiticeiros de todo o
Mundo, convocaram-me para me reunir com eles, em plena Inglaterra, mesmo
no centro do místico circulo de pedras de "Stonehenge", construído por
antigos druídas celtas ou saxões, segundo se estima, e o qual, seria uma
espécie de relógio cósmico, onde, se procedia a determinados rituais
astronómicos e astrológicos, e, a outras cerimónias châmanicas e
mágicas, relacionadas com os soltícios e a fertilidadedas das
sementeiras e as colheitas agrícolas, etc.
Em pouco tempo, estávamos nós rodeados por todo o lado, de homens e
mulheres, de costumes e práticas estranhas e mágicas, visto que, além
desta classe de pessoas, mais ninguém se tinha interessado, em outras
classes distintas. As verdadeiras razões que, levavam estes aqui
reunidos, a aceitar, de pronto e sem pestanejar, indicar-me o melhor
caminho para a minha trasformação em homem, eram ainda desconhecidas.
Esta dúvida, certa maneira, ajudava a que eu e o Morcêgo, ainda
acreditássemos que, finalmente, encontráramos os seres perfeitos, para
melhor nos guiar, rumo à minha transmutação.
Segui as instruções que, se resumiram a fechar os olhos, proceder a
respirações profundas e pausadas, e em meditar. Seria, segundo eles,
esta, a via indicada para a minha transformação de Dragão em homem. E
assim, enquanto ia fechando os olhos, preste a iniciar tal ritual, o meu
velho amigo Morcêgo, desta vez antecipando-se, foi avisando: -"Caríssimo
amigo Dragão, o que eles pretendem, é tirar-te as escamas que cobrem a
tua pele, as unhas e os pêlos de Dragão, para as suas práticas mágicas,
assim que estiveres longe, em tua viajem meditativa. Isto fará deles,
segundo estão convencidos, Châmanes poderosos, pois, terão em sua posse,
relíquias nunca antes tidas por nenhuns outros."-. Estava tão imbuído na
meditação que, já não consegui ouvir mais nada do Morcêgo que, em
virtude disso, limitou-se a proceder como eu, efectuando o mesmo ritual
praticado por mim, e, a seguir-me pelo mesmo caminho da meditação.
Nisso, enquanto subia rápidamente na direção de uma forte luz branca
que, no entanto, não feria os olhos, senti a presença do Morcêgo,
apesar, de não o conseguir ver, em sua forma habitual. Aliás, a forma
dele, era bastante indistinta e mais se assemelhava a uma nuvem violêta.
Chegáramos aos limites exteriores da forte e imensa luz branca, e ali,
encontrámos, como se aguardassem tranquilamente a nossa chegada, os mais
famosos e hónoráveis
sábios e profetas da humanidade, alguns dos quais, havia conhecido
pessoalmente, na Terra, em diferentes épocas recuadas do passado. Entre
estes, estavam Khrishna, Zoroastro, Lao Tsé, Confucio, Akhenaton,
Moisés, Buda, Jesus Cristo, Kutumi, Mohamed, entre numerosos outros, de
épocas ainda mais trás no tempo. Olhando bem, à semelhança do que havia
sucedido com o Morcêgo, conseguia distinguir exactamente as entidades,
mas, sem no entanto, ainda entender, como estas não tinham formas
físicas definidas, não passando de formas nebulosas que, apresentavam
ligeiras variações de côr, de umas para as outras.
A nossa ascensão, tornou-se então, estacionária, precisamente no centro
das étericas entidades, como se tivéssemos atingido o nosso destino
final ali, e fossemos aguardados naquele lugar, há já algum tempo. Nisso
senti que, todos olhavam para mim e que, a luz á minha volta,
tornava-se, de um momento para o outro, mais alva e clara. Olhei, e dei
com o Morcêgo, ou o que restava de sua nebulosa forma, começar a unir-se
áquilo que, parecia a minha própria aura ou éter. Antes, ainda não havia
reparado que, também eu, não tinha nem forma definida, nem tão pouco,
corpo físico. Sentia-me sim, e agora, mais do que nunca, como um
verdadeiro ser humano, ao invés de Dragão, como até um pouco antes do
início, desta ascensão, à luz. Ainda tive tempo de perguntar ao Morcêgo
o seguinte, antes que, este se diluísse no meu próprio éter: -"Afinal,
quem és tu, e porque te mantiveste ao meu lado, mesmo quando meditando,
e sobretudo, em silêncio, depois que, iniciámos a ascensão, na direção
da luz?"-. Para de seguida, embora um pouco ténue e fraco, ouvir um
sussurro, vindo da ainda visível aura que, restava do Morcêgo: -"Meu
caro amigo Dragão, eu só sou, simplesmente, o teu Mestre Interior, e por
isso, tu e eu, somos uma e a mesma pessoa. Aliás, tu sempre foste um
homem, que, embora por caminhos adversos, ascendia à iluminação, com a
forma adoptada pelo teu Ego, de um Dragão mitológico lendário, em
função, talvez, de alguma estória contada quando em criança e que, ficou
em tua memória até hoje, tendo-te convencido seres um a sério! E agora
que, atingiste o supremo estado de graça, o "Nirvana", depois da minha
diluição em ti, iniciará então, a tua, ou seja, o teu espirito,
regressará por completo, à comunhão com a Grande e Una Alma Comum da
Criação e da Eterna
Inteligência Cósmica, da qual, nunca te separaste, de facto!...
Escrito em Luanda, por manuel de
sousa, a 30 de Março de 2002.
Dedicado à Paz em Angola, nas Mentes Humanas e em todo o Mundo, ao
Supremo Grande Mestre Iluminado Jesus Cristo, ao Momento Pascal, à Sua
Crucificação e à Sua Ascenção aos Céus...e de seu Regresso ao Nosso Deus
Pai Comum...
MANUEL DE SOUZA é escritor
e poeta angolano
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