Ilustração: Chaim Soutine

 

Arreglo

Aquilo do cachorro eu nem sei como é que me veio. Eu estava era mordido com esse Mendes, não queria nem podia deixar o fresco posando de galo sem que ninguém lhe chamasse nos ferros. Porra, o Vico era parceiraço de anos, irmão mesmo. Tá certo que por último a gente andava meio apartado, afinal de contas ele ia se perdendo num tipo de vida donde eu penava para escapar: o Vico foi chibeiro pequeno, talvez dos últimos numa época em que o chibo perdia a força e o rio já não passava de uma paisagem d’água irmanando a miséria. Pois foi com a minguação do negócio que ele enveredou para a gatunagem braba, se atirando no que desse. E agora pro fim o animal se defendia no abastecimento de qualquer açougueiro de meia porta que não questionasse a procedência da carne. Arriscava forte nas madrugadas sem lua, deixando seu rastro de buchada e couro e cabeça e tudo quanto não podia carregar. E sempre a custa de muita gambeta em brigadiano e o bafo quente de algum capataz sobreavisado. Mas mal ou bem era o seu ganha-pão, meio fora-da-lei sim, mas que merda, a coisa andava osca para quem não tinha recurso e se o Vico se metia nessas empreitadas era mais por necessidade do que por gosto. Porque o que ele gostava de fato era de correr china. Enxergava um rabo de saia e já ficava bem louco. Ainda por cima o danado tinha uma lábia de político e muito boa estampa: corpulento e melenudo, quebrava um chapelão na testa com um jeito meio atrevido e fazia um sucesso medonho com o mulherio, não sei se apesar ou por causa da fama de maula.

Só sei que naquela noite, com o corno virado por causa de um arranca-rabo com a Maria de Fátima, eu acabei parando na zona. Tinha tomado mais de garrafão de um vinho ordinário e doce, e na hora em que o Mulita chegou eu ainda estava atochado num sono de morto, tão longe do mundo que não lembro quanto tempo a Polaca levou me sacudindo para eu acordar. E antes que eu pudesse me putear por ter terminado outra vez enfrascado e naquela cama fedida, antes que sentisse a língua grossa e azedada do trago e percebesse que minha cabeça rachava de tanta dor, antes mesmo de poder mandar a Polaca e suas carnes de puta velha para o raio do buraco que a pariu, antes disso tudo o Mulita já havia se enfiado quarto adentro, com cara de quem topara com uma assombração:

“Foderam com o Vico, queimaram ele com um balaço na nuca, foi de traição”.

Chê, tem horas que te dá vontade de mandar tudo à merda e abrir os dedos sem norte por esse mundão de Deus. Foi o que senti naquela hora. Eu só queria era sair. Me escapar daquela cama, daquele quartinho fedendo a porra, daquela puta de merda que se deitava com todo o mundo pelo dinheiro da comida mas que de mim não cobrava, a infeliz, porque “gostava de fazer comigo”.

Me vesti e cabresteei o Mulita pelo braço, entramos na Rural e pisei com raiva, sem respeitar buraco nem placa de Pare, o motor se estalando todo em direção à Federal.

No Parador encostavam os ônibus que vinham da Argentina e era o único lugar aberto àquela hora da madruga onde se podia tomar um café quente. Pedi dois. E acho que gritei com o Mulita:

- Agora me conta!

Ele raspou a goela e meio inquieto foi dizendo do traguito que tomava lá no cabaré da Márcia quando chegara a turma do Mendes fazendo um esparramo cuiudo. Já vinham bem chumbadinhos, ele disse, e falavam que se o Vico quisesse mulher que agora teria de se arranjar com alguma lá na estância do céu.

- Apurei o ouvido - continuou o Mulita - e fiquei curingando de longe, vi quando uma das gurias se arretirou lá pra dentro. Dali um pouco veio a Sarita, possuída, se esganiçando e querendo se atracar nos cupinchas do Mendes. A Márcia tocou todo mundo a campo fora e fechou a casa. Aí eu vim atrás de ti.

A rixa ali vinha de anos, qualquer um sabia, esse Mendes se achava dono da Sarita mas quem reinava naquele corpo era o Vico. Fora o Mendes que a trouxera da campanha, criança ainda, cambiada por um saco de arroz para mermar a fome do desgraçado do pai dela, da mãe e dos oito irmãos entropilhados num ranchinho de terra batida e quincha rala. Levara a guria, que devia ter uns oito anos na época, direto à zona, lá na Márcia, a fim de ajudar na cozinha e na arrumação dos quartos - enquanto ela botava corpo e se reservava para ele, esse Mendes. Naquele tempo o Vico fornecia bebida fina pro cabaré e em toda visita aproveitava para fazer uma média com o chinaredo, regalando a cada vez um vidrinho de perfume, cigarro americano, um que outro brinquinho mais vistoso. E sempre trazia algum brinquedo para a Saritinha. Depois, com os anos, passou a trazer algum lenço estampado, um sabonete de luxo, uma blusinha tomara-que-caia, e lhe contava longamente histórias de um país que ficava do outro lado do rio, um outro povo, uma outra fala, histórias e presentes que renderam o amor e o cabaço da já adolescente Sarita. E o ódio eterno desse tal Mendes.

- Então foi por causa daquela puta?

- Puta sim - respondeu o Mulita - mas que a Sarita era engatada no Vico isso era, ele é que se deitava com ela mais pela comida de graça. E pra cutucar o Mendes, que era bem dele isso de provocar. Diz que andou se metendo até com a maninha do Mendes, só pra atucanar.

Enquanto Mulita falava eu ia lembrando da última charla que tive com o mano Vico. Ele queria que eu desviasse três caixas de balas lá da ferragem, andava cismado que lhe preparavam uma boa.

Não dissera nenhum nome e nem eu lhe perguntara. Ele já era quatreiro marcado naquelas bandas, e ainda por cima abusado, nunca respeitou mulher de ninguém. Resultava que chovia de gente que por isto ou aquilo tinha motivo de sobra para um acerto de contas com o Vico.

“Tô fora, irmão”, eu dissera, mal desconfiando que mais dizia para mim mesmo, querendo me convencer de que eu tinha largado de fato daquela vida maleva. Sim, eu não queria saber mais daquilo. Muito bicho já havíamos carneado de noite, Vico e eu, no costado do corredor, perigando levar um tiro nos cornos ou, pior ainda, tomar laço de brigadiano recalcado. Muita madrugada varamos na zona, na jogatina pesada. Muito bochincho armamos por aí só pelo gosto de ver a coisa feder. Ah, que não foram poucos os infelizes que se arrependeram de terem cruzado conosco. Só que agora não. Agora eu não queria mais saber de entrevero para meu lado: há muito tinha largado o carcheio, e do trago e da zona fazia uso sem me esbaldar muito, como qualquer cristão. Só bem depois fui me dar conta que essa mudança nas idéias era por causa da Maria de Fátima. Eu lhe fazia a corte com tenção séria de ajuntar os pelegos assim que desse. Tinha arranjado um emprego no comércio e até em me desfazer do meu Smith & Wesson com cabo de madrepérola eu vinha pensando.

Mas aí vem esse Mendes e queima o Vico pelas costas. Puta que pariu, por que agora vem um bostão e me faz uma merda dessas? Aí não tem jeito, começa a te crescer uma raiva por dentro, vai te batendo um nojo da vida, um nojo dessa lida miserenta atrás de um balcão de ferragem a receber ordem de chefe, de subchefe, de gerente, de dono, de tudo quanto é imbecil metido a besta, nojo desse jaguara sem peito para enfrentar um homem de frente, nojo até da Maria de Fátima que armava um salseiro bárbaro por uma coisa de nada, louquinha para me botar os freios sem nem ainda me ceder os encantos.

- Tá pensando em fazer alguma coisa, não é mano velho? - A voz do Mulita era seca, certeira, e sua pergunta não era pergunta, era mais uma aprovação. Claro que sim, no fundo eu sabia que ia fazer alguma coisa. Não me passava pela cabeça que um patife como o Mendes pelasse a coruja de um parceiro meu sem levar a volta.
Mas na hora menti:

- A única coisa a fazer é dar uma assistência no funeral, que eu saiba o Vico tem só a mãe e um irmão retardado.

Quando saímos já havia uma barra de luz no céu, e aspirar com força aquele ar gelado de agosto foi como limpar o corpo de todo o cansaço e a ressaca da noite. Ali eu senti que meu coração troteava no compasso outra vez.

No velório veio pouca gente, algum companheiro do jogo, três ou quatro mulheres que ninguém conhecia e um que outro vizinho da mãe. Fiquei por ali escorado numa parede, controlando de longe o choro surdo da velha, sua doble tragédia de mãe de um morto e de um abobado, que é quase como estar morto em vida. Fiquei olhando para o Vico estirado na sua última cama, a melena farta como que emoldurando uma cara que apesar de já meio baia ainda guardava certo frescor. A bala tinha entrado pela nuca e lhe saiu abrindo uma flor no meio da testa, mas apesar dessa chaga preta, onde volta e meia pousava uma mosca, o rosto tinha o aspecto tranqüilo de sempre, como se ele tivesse morrido de um suspiro - e não com um pedaço de chumbo lhe trespassando a cabeça de trás para frente.

No cemitério, na saída, me acheguei na Sarita e apartei ela para um lado. Ela confirmou o que haviam me dito no velório: o Mendes ainda estava na zona, num porre federal, dizendo que não ia embora sem que ela lhe aplacasse as vontades.

- Só se fosse pra cortar o saco daquele puto - ela disse. - Até já saí de lá com medo de fazer uma bobagem.

- Pues então tu volta - e lhe falei o que cismava em volutear na minha cabeça.

Fui para casa e me deitei um pouco. Acordei já noitezita, abri a gaveta do bidê e peguei meu Smith & Wesson. Já decidira vender aquela beleza e quem sabe no outro dia mesmo fosse atrás da Maria de Fátima para ver se a gente ajeitava o nosso lado. Mas antes, para me desfazer de vez daquela ruminação de pensamentos e consciências, me faltava uma última empreitada.

Carreguei o tambor com uma bala sola, que o homem era só um. E me fui.

Fui de a pé. A porta do salão estava encostada e não havia nenhum vivente lá dentro, reinava um silêncio de igreja - a Sarita tinha cumprido à risca o arreglado. Acendi um cigarro. No fundo do salão havia uma portinha de ferro que dava para um pátio lajeado, fechado na volta por um passadiço coberto, que era onde ficavam os quartos. Ao lado da portinha, já dentro do quadrado do pátio, tinha um cubículo baixo de madeira com uma pequena abertura na porta: era a casinhola de um pastor capa preta, o guardião da casa, enraivecido a cada dia pela comida pouca e pelo cativeiro, pois era para isso mesmo que o mantinham ali. Lembro que mais de uma vez, para findar com algum bochincho, vi a Márcia entrar salão adentro quase arrastada por aquele animal vertendo da língua uma baba de fúria, o latido rouco e selvagem estremecendo as paredes da casa. 

Pois assim que cruzei a porta o bicho se debateu e começou a acuar como um condenado - era o aviso. Me quedei ali na espera, falando baixinho com o cachorro no intento de que a minha voz conseguisse acalmar a fera. Dali um pouco a Sarita saiu de um dos quartos, enrolada num lençol. Ela gritou com energia para o cão e o animal se aquietou. Veio na direção da porta e, ao passar por mim, quase sem me olhar, disse baixinho:

- É todo teu.

Apaguei o cigarro que já me queimava os dedos, caminhei até a porta do quarto e fui abrindo devagar.

E lá estava aquele Mendes, deitado de bruços, com a cara virada para a parede, pelado, só com uma ponta do lençol tapando a bunda. Ao ouvir o ruído da porta ele deu uma risadinha e falou numa voz flauteada: 

- Vem aqui com o teu paizinho que ele quer brincar de novo.


Não respondi e ele repetiu a chorumela. Aí eu disse, com uma fala pausada que mais vertia a minha raiva do que mostrava calma.

- Te vira, puto, que eu não gosto de rabo cabeludo - Eu agarrava o cabo do revólver com uma força que me fazia doer as juntas dos dedos.

Ele deu um prisco e se virou de soco, já procurando as calças em cima da cadeira, na certa buscava alguma arma.

- Se mexer mais um dedo eu te enfio uma bala na boca - e apontei-lhe o revólver.

Ele se quedou arfante, talvez nem se desse conta que fazia as vezes de uma chinoquinha desprevenida tentando se cobrir com o lençol. Eu continuava com o braço estendido, mirando-lhe no meio dos olhos, acho que esperava ele dizer qualquer coisa.

- Se vai atirar que atire no más. Não sou homem de muita paciência. - A voz veio rouca, mas se notava, lá no fundo, um pequeno fio de coragem.

Naquela hora me ficou bem claro que eu não sabia o que fazer com aquele diabo; certo era que vingaria a morte do Vico, que daria uma lição no ordinário, quiçá a última dessa puta vida, mas não sabia bem o que fazer. Não sei porque, mas pensei na velha mãe do Vico, naquela tristeza silenciosa delante o caixão. Será que outro tiro remediaria o estrago no coração da velha? Pensei na Maria de Fátima, numa vida diferente que a companhia dela me prometia. Não, não era a primeira vez que eu apontava o berro para um homem, e se ainda continuava vivo era porque tinha aprendido que essa hora nunca foi nem nunca será a mais afeita a escamoteações do pensamento. Mas agora não, agora eu pensava. E não sabia o que fazer com aquele diabo. E gritei:

- Quem atira pelas costas não merece ser chamado de homem.
- Pra morrer não existe lado.

- Mas pra matar só tem um, filho duma puta: o da frente - e engatilhei o revólver.

- Matava de novo se fosse preciso aquele prevalecido - o desgraçado gritou, se espremendo contra a cabeceira da cama, meio enrodilhado no lençol.

Eu continuei teso, do cano da arma saía uma linha invisível que não desgrudava do centro da testa do Mendes, e continuei quieto, e o meu silêncio era quase um pedido para que ele continuasse, a cancha livre para algum lance novo naquela história, alguma coisa que eu não soubesse e que pudesse me dispensar de matar aquele calavera. E acho que ele percebeu, pois na sua face passou de relance uma expressão de alívio, muito ligeira e ainda incapaz de vencer todo o medo estampado na cara:

- Desembucha, corno - dei um passo à frente e quase lhe encostei o revólver nas fuças.

Ele se espremeu mais ainda, estava como que pregado à cabeceira.

- Matava de novo se fosse preciso - por fim berrou . - O puto se engraçou com a minha irmã, comeu ela à força e ela emprenhou... Ela arriou na cama com um febrão... Vinha sestrosa há tempo, botei ela na parede... Aí me contou... Ele disse pra ela enfiar agulha de tricô pra tirar e ainda ameaçou se ela falasse... Deu inflamação a coisa da agulha, e a guria tá que não quer mais sair da cama.

Falava aos trancos. E aos trancos me foi crescendo uma sanha na garganta que me fazia tremer a mão estendida e tremer o corpo todo de raiva. Raiva daquele infeliz, pelado e todo encagaçado na minha frente, raiva da guria enfiada numa cama com suas feridas do corpo e da alma, mas que num upa se levantaria dali para cair na vida e cumprir seu destino em algum puteiro de Rosário ou São Gabriel, raiva do Vico, irmão de lida e farra mas o grande filho da puta de sempre, raiva de mim mesmo por estar fazendo outra vez o meu papel numa história de sujeira, como se esta fosse a sina da minha vida. E raiva também de tal sina, porra, que no fim das contas é a mesma de tudo quanto é desgraçado que nasce e cresce sem posses nesse cu de mundo, agarrado como guacho a certos vigores de moral, no fundo tão vazios quanto o próprio futuro.

O pulso foi amolecendo, fui deixando cair o braço e larguei o revólver em cima da cama, longe do alcance do Mendes. Quando me virei já trouxe a mão fechada e sentei-lhe um murro no lado do ouvido. Ele emborcou no chão, ao lado da cama, e, quando virou a cara na tenção de se aprumar, desci-lhe os dois punhos na tábua do pescoço. O bicho se aninhou nos meus pés, atordoado, e eu me servi a coice naquela cara. E era muito a cara do Vico que eu chutava e quebrava os dentes e moía o osso do nariz a patada. Mas o lôco tinha lá sua valentia, agora reconheço, e meio na cega, porque duvido que enxergasse alguma coisa com tanta paulada pela cabeça, levou a mão nas roupas em cima da cadeira e num relance me acertou o flanco com uma adaga, me abrindo um beiço no costilhar. O homem tinha a cara banhada em sangue e bufava como cavalo sonador. Floreava a adaga na minha frente, com um risinho por trás daquele véu colorado.

- Te fodeste, machito. - E se veio.

Tentou um pontaço, mas me livrei com uma recueta, ao mesmo tempo que empurrava com o pé um mocho que estava no caminho. Ele tropicou, deu uma testaviada e a adaga lhe escapou da mão. Não tive nem tempo de me aproveitar e o bicho se avançou a soco, me pegando uma boa no olho. Nos atracamos no corpo a corpo, no mano a mano, numa peleia franca e bonita. Mais bati que apanhei. Começamos no quarto e terminamos no meio do pátio, esse puto do Mendes desfeito numa massa de sangue e osso quebrado, bem surradito, levando no corpo talvez a marca da maior sumanta de pau que já tomara na vida, e eu... Bueno, eu estava vingado, ferido com um puaço acima do vazio, judiado, com a cara toda rebentada e um gosto de sangue na boca, mas quase em paz comigo mesmo. Que se fodesse o Vico no acerto de contas com o Patrão Velho lá em cima, a minha parcela tava feita.

E o Mendes gemia, tentava se erguer. Me dirigi até a portinha que dava para o salão e só então me dei conta que o cachorro se esganiçava lá dentro da casinhola com metade do pescoço para fora, acuando como um desatinado. Só então percebi que aquele latido rouco, funesto, não parara desde a hora em que começamos a pelear, como uma espécie de música de fundo.

Continuei caminhando, despacito. Já na porta me volvi. Olhei para o Mendes e ele me olhou. Acho que foi aí que nos entendemos. E acho que foi aí que eu entendi que o Vico, esse Mendes, eu, o Mulita, todos somos na verdade feitios de um só molde.

Espichei o braço e soltei a tramela da portinhola.

Não nego que me senti tranqüilo quando saí lá fora, com uma sensação boa no fundão da alma. Ainda ouvia o plac-plac das mandíbulas esfomeadas se fechando no vento de tanta ânsia. Ainda ouvia o grunhido abafado pela primeira abocanhada em cheio, o barulho surdo do corpo batendo na laje, da carne descolando do osso.

E começava a me crescer umas ganas de mamar um tonel de canha.

AMILCAR BETTEGA nasceu em São Gabriel, em fevereiro de 1964. É autor de “O vôo da trapezista” (Movimento/IEL, 1994 - Prêmio Açorianos 1995), “Deixe o quarto como está” (Companhia das Letras, 2002 - Prêmio Açorianos 2003 e Menção especial no Prêmio Casa de las Américas 2002) e “Os lados do círculo” (Companhia das Letras, 2004), que acaba de ser lançado.