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Um político na tela
Cândido Rolim
saiu do gabinete, ofegante, de um corpo-a-corpo com a
pilantragem. os microfones o receberam no saguão.
é provável que sem a oportunidade de difamação (“ganho
político”) ou se o conjunto dos fatos não permitisse um triunfo
tacanho passageiro, sem a contrapartida de qualquer ato honroso
e útil ele não aparecesse assim diante das câmeras:
apertado num paletó fechado em dois botões, os óculos sobre as
narinas, dentes proeminentes, contido mas eufórico, ungido por
uma entidade abstrata – ética? moral? – e como já postulando uma
citação entre aspas no noticiário da semana ou uma monção nos
anais do parlamento, profere mais um adágio medíocre:
- as denúncias têm que ser apuradas!
CÂNDIDO ROLIM (Várzea Alegre / CE, 1965) Tem publicados
os livros Rios de Mim (Secretaria de Cultura, Fortaleza/CE,
1982); Arauto (Edições Dubolso, Sabará/MG, 1988), Exemplos
Alados (Letra e Música, Fortaleza/CE, 1997) e Pedra Habitada
(AGE, Porto Alegre, 2002).
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