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Presentes de Natal
Jean Baptiste Debret
Dão-se presentes no Brasil especialmente por ocasião das festas
de Natal, de Primeiro de Ano e de Reis. No dia de Natal e no dia
de Reis, sobretudo, são de rigor os presentes de comestíveis,
caça, aves, leitões, doces, compotas, licores, vinhos, etc.
Costuma-se renovar na mesma época a roupa dos escravos, o que
leva a conceder, em geral, gratificações aos subalternos.
Entretanto, entre as pessoas de bem, os presentes de um gosto
mais apurado são mandados em bandejas de prata com toalhas de
musselina muito finas, pregueadas com arte e presas com laços de
fitas cuja cor é sempre interpretativa, linguagem erótica
complicada pela adição engenhosamente combinada de algumas
flores inocentes.
A véspera do dia de Reis é igualmente festejada. Com efeito,
grupos de músicos organizam serenatas debaixo do balcão de seus
amigos, os quais, em troca, os convidam a subir para tomar algum
refresco e continuar o concerto no salão até de madrugada.
Para a classe inferior, composta de mulatos e negros livres,
essa noite constitui um carnaval improvisado; fantasiados, em
pequenos grupos escoltados por músicos, percorrem as ruas da
cidade e, quando a noite é bela, prolongam sua excursão pelos
arrabaldes, onde acabam entrando numa venda e aí ficando até o
nascer da aurora. Outros, ao contrário, preferem organizar
pequenos salões de baile, onde se divertem ruidosamente,
dançando uma espécie de lundu, pantomima indecente que provoca
os alegres aplausos dos espectadores, durante toda a noite.
Eis no que se transformou no Brasil o aniversário da visita dos
Reis Magos.
O desenho representa a entrega de dois presentes de importância
diversa: o primeiro, carregado por três negros entrando por um
portão, traz a carta de congratulações entre as garrafas de
vinho do Porto; a apresentação do segundo, mais modesto e talvez
galante, é confiada à inteligência da negra encarregada de
entregá-lo num humilde rés-de-chão.
A cena se passa perto do Jardim Público, cujo muro, que dá em
parte para o largo do Convento da Ajuda e em parte para o mar,
se percebe ao longe.
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