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Contos breves
Eduardo Oliveira Freire
INVERNO
dias frios, ele abre o chuveiro, a água quente envolve seu corpo
trêmulo, sente um certo conforto; mas o vento que passa entre as
brechas do basculante, as paredes e o piso não o fazem esquecer
do inverno; quer continuar a sentir a água quente, mas o
chuveiro elétrico começa sair fumaça e a exalar cheiro de
queimado; fecha o chuveiro e o espera esfriar; depois abri um
pouco, só assim que a água esquenta; nos dias de inverno, sempre
faz a mesma coisa; é uma rotina...
QUERIA
Roberto queria só ser substantivo,
não queria ter adjetivo. Com o passar do tempo, morreu infeliz.
Descobriu que não tinha jeito. Era mais um substantivo que tinha
adjetivo.
"NÃO SEI QUANDO ME PERDI"
Pensava sozinho. Sempre estava só.
Os outro achavam que era meio louco. " Sou só porque me
abandonei. Esse é o pior tipo de abandono".
Tempos idos. Olha à rua; tenta procurar resquícios... Deseja
dormir um sono tranqüilo. O vento balança a mangueira, as mangas
maduras caem no chão. Crianças correm pela vila.
Mais um dia que sobrevive na casa antiga e cinzenta.
- AMA-ME OU ME DEIXE
Ele a deixou, mas continuou amá-la até o fim da vida.
FICADA
... dois corpos se tocam... um não conhece o outro, não
conversam... só se beijam e se chupam... acabou... separam-se...
seguem suas vidas, um longe do outro.
PERDÃO
Abriu a porta. Ela lhe deu um beijo surpreendente. O homem a
perdoou.
EDUARDO OLIVEIRA FREIRE é formado em ciências sociais
pela UFF e aspirante a escritor.
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