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Verblunde
Yordan Raditchkov (1929-2004)
Nas velhas crônicas tcherkaskianas está escrito que o verblude
vive em toda parte: na areia, na água (há verbludes aquáticos),
no céu; quem puder ver o Sol verá em seu olho um verblude. Está
escrito, também, que ele é originário da Lua — devastou tudo por
lá e, quando não havia mais o que pastar e por todas as partes
se afundava em pó até o peito, espalhou-se pelo universo.
Segundo as mesmas crônicas, ervas e arbustos não voltariam a
aparecer na Lua antes de mil anos, e até então não se teria lá o
que pastar.
A época da emigração coincidiu com a época da peste. Os
tcherkaskianos acabavam de sepultar seus mortos no altiplano, e
no outro dia notaram que entre as pedras passeavam verbludes. É
possível que se tratasse de miragens ou que os olhos do medo os
tivessem descoberto. Passado tempo, os verbludes desapareceram,
e, quando os tcherkaskianos foram ao altiplano, viram que ele
estava nu como um osso e que aqui e ali sobre as pedras havia
marcas de dentes de verblude. É talvez por culpa disso que nas
crônicas está escrito que o verblude come pedras, assim como o
óxido come o ferro.
Deus cria, o verblude destrói; ele transforma tudo em areia.
Onde vivem verbludes —no Saara ou atrás da grande muralha da
China— a terra se converte em areia. Ninguém sabe quando e onde
aparecerá o verblude, porque ele pode viver em qualquer lugar.
As velhas crônicas dedicam lugar especial a uma descoberta: a
gente que vive com um verblude presencia histórias fantásticas.
Muitas coisas estranhas ocorreram durante o tempo do verblude.
Um dia apareceram no céu vacas com caudas de peixe. Não eram
aladas, nem estavam pregadas lá, agitavam tranqüilamente as
caudas e ruminavam. De outra feita saltou no altiplano o faraó
egípcio e deitou falação. As crônicas nada dizem do discurso,
provavelmente os cronistas não entendiam a língua egípcia. O
faraó desenhou no céu um crocodilo, montou nele e voou por sobre
as casas. Das chaminés das casas entroulhe fumaça nos olhos e
ele chorou.
Um tcherkaskiano desconhecido, de volta a casa certa noite, em
vez de sua mulher achou na cama uma cabra. Olhando para fora, o
tcherkaskiano viu na janela uma cabeça de verblude.
Graças ao verblude os camponeses puderam ver Noé e sua arca. Ele
apareceu no altiplano, soltou a pomba, mas a ave não encontrou o
ramo de oliveira (em Tcherkáski a árvore da oliva não dá),
regressou à arca e Noé se foi, pensando que a água do dilúvio
ainda não havia baixado. Logo depois de Noé surgiu no altiplano
um verblude e começou a esfregar as ilhargas nas pedras. Uma
vez, ainda, brotou da terra um dragão de três cabeças e começou
a vomitar fogo e fumo. Os tcherkaskianos armaram-se e partiram
para cortar a cabeça do dragão e salvar o povoado. O monstro
desapareceu como se a terra o tivesse tragado. Em lugar dele os
tcherkaskianos encontraram três verbludes movendo tranqüilamente
as peludas cabeças.
O tempo do verblude transcorreu como um sonho. Os céus azuis
fecharam-se tanto que o Sol mal encontrava frestas para coar-se,
e então tomava a forma ora de um peixe, ora de um inseto, ora
pulava como um gafanhoto, ora tornava-se quadrado.
Os céus encheram-se de cidades, muralhas, pastagens, havia dois
calvários e dois santos sepulcros, cruzados cavalgavam cavalos
de ferro. Moisés passeava com as tábuas da Lei, pisando a cauda
do Sol, turcos e bandoleiros giravam carneiros nos espetos; no
próprio céu viram Pilatos lavando as mãos, Králi Marco levantar
toda a Terra e se afundar até os joelhos no céu, viram como
Genoveva vive com a cerva, como é o inferno e como é que os
diabos torturavam os pecadores — tudo viram os velhos
tcherkaskianos: o fogo, as caldeiras, o alcatrão. Os diabos
mesmos ficavam sentados ao fogo como turcos e se pareciam muito
com os turcos que giravam carneiros nos espetos. Tudo o que
existira antes dos tcherkaskianos —pais, avós e avozinhas—
aparecia e desaparecia contra o céu; assim viram também o
próprio Popocatepetl —o vulcão— vomitar terra ardente e
congelar-se de súbito, para adquirir a forma de um verblude.
As crônicas assinalam também que os velhos búlgaros, logo que
chegaram a nossa terra e descobriram nela suas velhas pastagens,
suas mulheres, filhos e netos, soltaram os cavalos, decidindo
que aqui estavam suas raízes, e, ao se assentarem junto aos
fogões, para cortar finos pedaços de carneseca, vislumbraram na
antiga noite os sorrisos das eslavas, sombras fátuas de
verbludes e silhuetas de cavalos bebendo água do Volga. Nas
crônicas não se explica de que modo essas coisas puderam ser
vistas juntas — provavelmente nisso os ajudou o verblude.
Muitas coisas foram vistas, muitas foram contadas e escritas
conforme as narrações de segundas e terceiras pessoas. Nossos
navegantes tentaram descobrir a América antes do Descobrimento,
mas em caminho encontraram enormes obstáculos, horríveis
corcovas de água, que faziam suas naus em pedaços, e, já que
conheciam o verblude, o descobriam nessas corcovas aquáticas
(dissemos no início que há verbludes aquáticos). Apesar de tudo,
alguns conseguiram escapar com astúcia e descobriram a América,
mas nenhum deles voltou a Tcherkáski para contar.
Os cronistas afirmam que os que sentem o cheiro do verblude
esquecem a própria origem e que em suas almas cresce uma flor
negra. Isso é complicado por suposições e relatos de segunda
mão, e só se pode explicar pela intervenção do verblude. Há quem
afirme que os moribundos vêem o sorriso de um verblude. O rei
Dario também viu um sorriso assim; o velho alcaide de Tcherkáski,
que ergueu uma fonte durante o tempo de seu mandato, reconheceu,
antes de expirar, que o verblude entrara no quarto, sorrira-lhe
e o convidara a seguir caminho com ele. Os nossos estão até
agora convencidos de que só se pode ser transportado através do
frio fogão do tempo pela mão de um verblude.
Um ermitão tcherkaskiano, retirado atrás das pedras do
altiplano, toda noite via uma camponesa tcherkaskiana sorrir-lhe
e chamálo. Ela polia os brilhantes dentes na pedra e sorria cada
vez mais. Uma noite o eremita não resistiu, saiu de trás das
pedras e logo descobriu que não era uma mulher, mas o próprio
verblude, quem estava ali e afiava os dentes. Assim se perdeu o
ermitão, e, por mais que o procurassem no dia seguinte, não
descobriram dele nem mesmo um osso: encontraram lá só uma escama
de peixe. Concluíram então que quanto maior é o sorriso, maior é
a probabilidade de um verblude.
Uma camponesa espalhou durante muito tempo o rumor de que seu
marido andava de noite com um verblude. Novos tempos, o verblude
envelhecia, por certo período chegaram a esquecê-lo
completamente. Pois foi justo nesses tempzzos recentes que a
camponesa começou a falar do verblude, o que a princípio
despertou zombarias, mas depois cobrou seriedade: seus irmãos,
uma noite, seguiram-lhe o marido e, embora ele disfarçasse
cuidadosamente os rastos, foram encontrá-lo num monte de feno
com um verblude. O homem não disse se havia aprendido com o
verblude a comer feno, nem lhe perguntaram, pois para que outra
coisa poderia ter ido!
Por esse mesmo tempo veio ao mosteiro de Tcherkáski um monge com
uma máquina de costura. Sentava-se tranqüilo junto à janela em
sua cela e botava a máquina a funcionar. Podia confeccionar tudo
com ela, tanto para mulher quanto para homem ou criança.
Costurava muito barato, sempre tranqüilo como um fogão atrás da
janela, com um sorriso absolutamente tranqüilo na cara peluda.
As mulheres tcherkaskianas começaram a encomendar muitos
vestidos e a falar do monge por toda parte, e tanto falaram que
os homens desconfiaram que ali havia coisa e resolveram tirar a
limpo suas suspeitas. Precisarei dizer-lhes que também ali
estava um verblude, disfarçado sob uma barbuda cara de monge?
Um empregado da administração, homem inexpressivo e de punhos
feitos para lidar com máquinas, de repente decidiu casar-se e
saiu a percorrer varias colinas, à procura de noiva. Tais
colinas deitavam-se tranqüilamente, como verbludes, e o avô do
empregado o aconselhava a não ir tão longe e recomendava que não
se deixasse enganar pelas corcovas dos verbludes, senão sabia-se
lá o que lhe entraria em casa! O empregado não acreditava nas
velhas crônicas; arranjou uma esplêndida mulher, forte como Dan
Kolov, pelo menos era o que lhe asseguravam quantos haviam visto
o lutador nas feiras. Uma vez (acabavam de erguer uma casa e
estavam pondo o telhado, a mulher ia buscar barro e o homem o
levava para cima com um balde) os dois se pegaram, a mulher lhe
disse que o botaria pra fora de casa, porque as vigas dessa casa
eram dela, seu pai as havia transportado das montanhas. O homem
sereno que ele era perdeu as estribeiras, lançou de lá de cima o
balde cheio sobre a mulher, e ela, embora
fosse uma mulher muito forte, caiu na lama e precisou de algum
tempo para tomar alento. Recobrada, rugiu como um leão e,
corpulenta como era, encolerizada e suarenta como estava, tomou
o primeiro instrumento que encontrou e passou a destroçar com
ele a casa.
O homem caiu do telhado, apareceram os vizinhos, mas ninguém se
atrevia a dar um passo à frente para tirar a peça das mãos da
mulher. Ela movia seu horrível instrumento e arrebentava a casa,
e não parou antes de vê-la convertida num montão de tijolos e
vigas, como se por ali tivesse passado um terremoto. A mulher
emergiu da nuvem vermelha levantada pelos destroços, brandiu o
instrumento (que era um horrível e pesadíssimo arado) e deitou
um olhar tranqüilo à pequena multidão em torno, que foi
descobrindo em seu rosto um sorriso quase imperceptível.
Começaram a sussurrar que aquilo era um verblude e
esgueiraram-se em silêncio, enquanto o verblude os fitava com
seu sorriso suave. A mulher conservou esse sorriso até depois de
hospitalizada, e em sua cara ainda se vêem vestígios dele.
Ela anda por toda a aldeia levantando arados, e, quando se ouvem
trovões, aconselha os tcherkaskianos a se esconderem nas suas
casas, porque do céu virão verbludes e destruirão o povoado.
Os presságios no céu, a que se referem as velhas crônicas
escritas em pele de verblude, não se repetiram. Ninguém mais viu
a arca de Noé, os cruzados ou o faraó egípcio com o crocodilo.
Resta-nos invejar os velhos cronistas, testemunhas de
fantásticos acontecimentos e fenômenos, mas também podemos
alegrar-nos pelo fato de não vivermos com medo da espantosa
aparição do verblude, e de não irmos atrás das miragens que ele
levanta ironicamente diante de nós, para atrair-nos ou fazer que
se ericem nossos cabelos.
Bendito é o nosso tempo!
Apesar de tudo, quando folheio as velhas crônicas, quando
percorro o altiplano, em cujas rochas vêem-se marcas dos dentes
do verblude, ou examino a coroa de montanhas trançadas pelas
corcovas de verbludes, não posso deixar de sentir um frio em meu
coração. Recordo o que escreveu o último cronista pagão, quando
em Tcherkáski irromperam os cristãos: “Tanto os deuses como a
gente são criados do verblude!” Tenho tratado de fitar o Sol,
para ver se realmente há ali um verblude, mas até agora não
descobri nada, porque, logo que o fito, todo o céu se enche
repentinamente de movimentos giratórios.
Estou em grandes apuros com essas crônicas e com o próprio nome
v e r b l u d e . Em russo essa palavra quer dizer camelo. Mas a
interpretação que se dá ao verblude, certos fragmentos de
descrições dele e o modo de aparecer e desaparecer não podem, de
maneira nenhuma, ter relação com o camelo, ainda que em alguns
lugares haja referências a corcovas. Uma crônica diz que o
verblude dá à luz como o homem, amamenta como o homem, apesar de
apenas pastar capim. O verblude vive exclusivamente de capim,
prova do quê é sua emigração da Lua depois de devastada. Mas
então como explicar o fato de que há também verbludes aquáticos!
E depois: por que o verblude destrói a terra e a converte em
areia! Não é aí que devemos buscar a raiz do enigma?
Desde nossa infância, os tcherkaskianos bebemos, com o leite
materno, as crônicas do verblude.
Cedo também descobrimos o olho do Sol para pisca-piscar ante sua
deslumbrante luz. Aconselhavam-nos a não fitar o Sol, porque
veríamos um verblude e quem vê o verblude perde a vista. Nós não
fitamos o olho do Sol, mas em compensação podemos fitar qualquer
outro olho. O olho redondo e vermelho da galinha, o olho amarelo
do cão, o olho negro do búfalo, o olho brilhante do cavalo, em
que a gente pode se ver. Todos estes são olhos confiáveis, são
tranqüilos e fitam a gente como a procurar um apoio. Neles não
há verblude.
Mas, então, onde vamos buscar o verblude?
Ninguém sabe de sua forma, qual o seu tamanho, que cor e que
cheiro tem.
As peles de verblude, nas quais foram escritas as velhas
crônicas, são preparadas a mão, depois o tempo também as
trabalhou tanto que, se vocês as vêem hoje, não têm como
determinar a cor do verblude, nem absolutamente como demonstrar
se ele era escamoso, veludoso, ou se tinha a couraça dos velhos
dragões, ou se era liso como os grandes peixes do mar.
Interroguei diversas pessoas idosas e algumas delas me afirmaram
com segurança que o verblude tem pé de cabra: algumas vezes, de
noite, pode-se ouvi-lo golpear com o casco a terra.
Outros me disseram, todavia, que não tem casco, mas tãosomente
cabeça em forma de gancho e duas orelhas, para poder ouvir tudo.
E há os que afirmam que o verblude pode ser uma árvore,
cachorro, discurso fúnebre, passadeira ou ainda um homem, do
mesmo modo que podia ser um lagarto; dizem que pode estar atrás
de sua porta, sem que você o veja, talvez apenas, algumas vezes,
sentirá sua respiração; ou algumas vezes, sentado, não terá você
percebido que a seu lado o ar se movimenta? — é provável que
sim: isso é um verblude; ou quando você está em casa, com a
esposa, e de repente os dois saltam encolerizados, prontos para
se destroçarem com os dentes, saibam que isso é coisa de um
verblude, que se acocora num canto e os fita com seu olho
invisível.
E há também tcherkaskianos que pensam que essas histórias
envelheceram, que os tempos do verblude passaram, que os homens,
apesar de tudo, se revelaram mais espertos que ele, pois, ao
inventarem o tempo, o dividiram em anos, e cada ano nos afasta
do verblude. Por isso nos desejamos felicidade no Ano Novo! Os
velhos tcherkaskianos, quando se despediam do ano velho, diziam:
“Lá se vai mais um verblude.”
Nessa conjectura acerca do tempo há também certa dose de razão,
o homem teve de apelar para a astúcia, para salvar-se do horror
do verblude, se bem que ele continue andando com sua pata
através do tempo e aqui e ali descubramos na pedra marcas de
seus dentes. E até agora não ficou explicado por que para vários
anos há um ano bissexto e o mês de fevereiro chega a ter um dia
mais. Justamente esse dia, dizem alguns tcherkaskianos, é a
cauda do verblude. Que quem tenha bom olfato pode nesse dia
sentir o cheiro do verblude.
Devemos em todo caso estar contentes e felicitar-nos de que o
homem tenha inventado o ano para com ele medir o distanciamento
do verblude; e, sempre por meio dele, determinar a passagem dos
mil anos desde a migração, para que a erva volte a crescer na
Lua e possamos ir lá.
Os primeiros pilotos, logo depois da invenção dos aparelhos para
voar, não notaram verbludes em nenhuma parte do espaço. Os
cosmonautas da União Soviética e dos Estados Unidos tampouco
falam do verblude. É possível que ele tenha penetrado muito
profundamente no universo e, semelhante ao cometa de Halley, só
nos visite de vez em quando.
Ele nos visita, sem dúvida. No curso do ano de 1959 os
cientistas tiveram a surpresa de verificar que a Terra começou a
girar mais lentamente. Estou convencido de que algum verblude se
deitou em seu caminho e pôs-se a brincar com ela, assim como um
gato brinca com um novelo.
Muitos tcherkaskianos afirmam que, se nos batem nas costas, foi
o verblude; se você bate a alguma porta e não lhe abrem, saiba
que atrás da porta dormita um olho de verblude. Dizem mais que
não precisamos, em verdade, ir buscá-lo muito longe, é só olhar
fixamente o olho humano. Esses tcherkaskianos apóiam-se de novo
nas velhas crônicas, nas quais, em várias passagens, está
escrito: fixem o olho humano, aproximem-se do seu poço e vejam
se nas profundezas não dormita um verblude. Os velhos
tcherkaskianos, antes de empreenderem qualquer viagem,
fitavam-se muito tempo nos olhos, fazendo o mesmo antes de
começarem algum trabalho. Para eles isso era fácil, eles
conheciam o verblude.
O tempo, apesar de indulgente, foi injusto conosco, ao
obrigarnos a buscar algo que não conhecemos. Não podemos
renunciar à busca do verblude, já que ele ameaça converter nossa
terra em areia por causa de seu horrível hábito de viver na
areia. E não só a terra, ele transforma tudo em areia.
As velhas crônicas nos dizem que, se vemos um suspiro polvorento
no deserto, é o suspiro do verblude.
Os físicos chamam a esse verblude explosão atômica, em seus
dentes candentes a areia se esfaz em esmalte, semelhante ao
esmalte do congelado Popocatepetl, que os tcherkaskianos viram
em seus céus.
Se no jardim da humanidade vislumbramos o suspiro polvorento do
verblude, isso é um mau presságio: o céu pode encher-se de
cruzados, calvários e bandoleiros turcos, acocorados em redor
das fogueiras, e Noé soltará a pomba no altiplano, para que
busque o ramo de oliveira.
O verblude —dizem as crônicas— pode converter em areia até o
jardim mais verde da amizade.
O olho deve estar desperto, porque ninguém sabe quando nem onde
ele aparecerá — ele vive em toda parte!
Isso me dizem as velhas crônicas tcherkaskianas a respeito do
verblude e não posso deixar de acreditar nelas, porque estão
escritas em sua própria pele.
YORDAN RADITCHKOV nasceu em 1929 numa aldeia búlgara, hoje
submersa pelas águas de uma represa. Autodidata, jornalista.
Praticou, além do conto, a novela, o romance, o roteiro
cinematográfico, o relato de viagem e o teatro. Deixou perto de
uma dezena de peças teatrais (como Agitação, Janeiro e Lazaritsa),
aplaudidas não apenas na Bulgária, mas em diversas outras nações
européias e nos Estados Unidos da América. De seus mais de
sessenta livros, boa parte é hoje conhecida fora de seu país,
traduzido que está em mais de trinta idiomas. Dentre eles
mencionem-se O Coração Bate pelos Homens, A Barba de Bode, Humor
Furioso, Contos de Tcherkáski. É, no dizer de Rumen Stoyanov,
patrício e tradutor seu, escritor de fluência, naturalidade e
amenidade que fazem pensar em magia, senhor de uma arte
narrativa entranhadamente búlgara, testemunho fiel da cosmovisão
de seu povo. Faleceu recentemente, em 21.1.2004.
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