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A história secreta do
Comando Vermelho*
Miguel do Rosário
Reza a lenda que a origem da organização criminosa Comando
Vermelho deu-se no presídio da Ilha Grande, ao final da década
de 30, quando bandidos comuns e presos políticos uniram-se na
desgraça para lutar pelos direitos dos presidiários.
Após a decretação do Estado Novo, em 1937, Getúlio Vargas
amealhou poderes ditatoriais e deflagrou uma violenta campanha
anti-comunista, atendendo o desejo das classes dominantes e
respondendo ao impressionante crescimento do partido comunista
brasileiro, o qual por sua vez vinha recebendo uma enorme
quantidade de recursos de sua matriz em Moscou.
O resultado dessa campanha foi a prisão em massa de políticos,
jornalistas, intelectuais, artistas, considerados comunistas ou
simpatizantes. Foram mais de cinco mil detenções, hoje
consideradas por experientes analistas jurídicos e historiadores
como totalmente inconstitucional e anti-democráticas.
Entretanto, como se diz, a cada época, sua lei. E atualmente,
aprendemos a ver as qualidades e os feitos de Vargas acima de
suas escorregadelas totalitárias: afinal, não foi ele o
artífice e líder da revolução industrial brasileira, que
libertou o país de seu triste destino colonial de simples
exportador de matéria-prima e o colocou nos trilhos do
desenvolvimento e da modernidade?
Enfim, durante o Estado Novo, as prisões federais ficaram
sobrecarregadas de presos políticos, os quais, inevitavelmente,
puseram-se em contato com os demais inquilinos compulsórios
daqueles recintos. E assim dessa associação teria nascido o
Comando Vermelho, sendo que a cor do nome em questão teve sua
razão de ser na cor histórica dos movimentos anti-capitalistas.
Até onde minhas pesquisas me levaram, essa história está só em
parte correta.
Como toda a comunidade acadêmica já está ciente, fui contratado
pelo governo russo, em 2002, muito depois da queda do regime
comunista, a realizar uma série de pesquisas sobre os
“investimentos” políticos que Stálin, e depois Kruchev, fizeram
nos países latino-americanos. Algumas descobertas que fiz foram
realmente surpreendentes.
Não pensava em divulgá-las no Brasil, pois o governo russo me
contratou com um objetivo puramente científico e acadêmico para
seu próprio país. Aliás, cumpre dizer que fui tratado com um
respeito e uma dignidade que nunca encontrei aqui. Entretanto,
em conversa com meu amigo Olavo de Carvalho, esse colosso da
filosofia, marginalizado pelos comunistas enrustidos da academia
tupiniquim, fui convencido de que deveria sim publicar no Brasil
um livro sobre o assunto, visto que as descobertas que fiz
revelam o quão perigosa foi, de fato, a infiltração comunista
por essas plagas.
A opinião pública brasileira, contudo, ainda presa à dogmas
socialistas, não tem idéia sobre como o comunismo continua a ser
um terrível perigo para as instituições democráticas nacionais.
Sorte dela que existem pessoas como eu e o Olavo de Carvalho,
que cumprimos galhardamente o nosso papel de guardiões da
democracia e do capitalismo, sempre denunciando e atacando esses
medíocres seguidores de Marx, Lênin, Mao, Fidel e Stálin - todas
essas figuras que fazem parte do panteão monstruoso e sangrento
do comunismo internacional.
Sendo assim, divulgo nesse momento uma das minhas descobertas
que fiz junto aos arquivos da extinta KGB (agência de
inteligência russa) e do departamento de influência política do
partido comunista russo, arquivos esses que me foram cedidos
pelo próprio governo russo, o qual hoje, após se libertar do
jugo comunista, procura se desvencilhar ao máximo de seu passado
sombrio.
O que descobri foi que Stálin autorizou um plano secreto da KGB
chamado Tukik Ried, que significa, num esquecido dialeto
siberiano nada mais nada menos do que (sentem-se, caros
senhores, e respirem fundo) Comando Vermelho.
De acordo com esse plano, todos os presídios do país seriam
infiltrados com agentes comunistas, os quais deveriam fazer um
trabalho de conversão ideológica dos delinqüentes, de forma a
que sua rebeldia criminosa fosse convertida em rebeldia
revolucionária (aliás, a diferença entre as duas é tão sutil!
Vide o exemplo das Farcs, entre milhares de outras organizações
espalhadas pelo mundo).
O plano teria sido iniciado por volta de 1938, após o fracasso
de Moscou em realizar um levante comunista no Brasil através das
vias “normais”, inclusive dando trinta milhões de dólares para
Carlos Prestes e Olga Benário organizarem uma revolução.
Entretanto, por razões de segurança, foi feito um balão de
ensaio primeiramente no Rio de Janeiro. Se fosse bem sucedido na
cidade - como quase o foi -, os recursos seriam investidos em
todas as prisões do país.
O mesmo plano foi aplicado, anos depois, na Colômbia, culminando
com a criação das Farcs, e em diversos outros países latinos. Os
resultados desastrosos deste plano comunista - como aliás de
todos os planos comunistas - estão aí para todos verem.
No caso do Brasil, ou mais especificamente do Rio de Janeiro, o
plano só não foi bem sucedido porque os agentes não contavam com
o caráter irremediavelmente individualista e capitalistas dos
criminosos nacionais. Os poucos que aceitaram incorporar-se às
fileiras comunistas e ter aulas de marxismo e revolução, o
fizeram apenas para receber os recursos vindos de Moscou e
depois fugiram com o dinheiro, as armas e tornaram-se, isso sim
é verdade, bandidos bem mais alfabetizados e politizados, mas
nem um pouco interessados em sacrificar o mínimo que fosse em
prol dos oprimidos.
No próximo artigo, fornecerei mais detalhes desse infame plano
dos russos, que tanto ajudou no aumento da criminalidade do Rio
de Janeiro. Por enquanto, esse breve introdução serve como
advertência à ingênua opinião pública brasileira, que ainda vê
com simpatia ou tolerância partidos e figuras políticas de
esquerda, por ignorarem o histórico de atrocidades, crimes e
corrupção do movimento comunista internacional.
* A história em questão é
totalmente ficcional. Não tem conexão nenhuma com a realidade,
apenas brinca, sem compromisso, com alguns fatos e personagens
reais. Ao ironizar os supostos perigos do comunismo, procura
alertar que, historicamente, tem sido o capitalismo o grande
vilão que mata milhões de pessoas, de fome, doenças e guerras.
MIGUEL DO ROSÁRIO, 30 anos, carioca, é jornalista, escritor
e editor do site Arte & Política. Lançou em março de 2005, o
livro Contos para Ler no Botequim e escreve no blog Hell Bar.
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