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ilustração: Egon Schiele
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continho de sexta
treze
botei minha roupa de bruxinha e fui dar uma atormentada básica naquele sujeitinho medíocre. entrei na sua casa, fui em direção ao sofá da sala e me esparramei no tapete vermelho.
- Sua louca! - sussurrando assustado - o que é isso?
- Vim te ver! - eu cínica abrindo minhas pernas.
- Louca, louca! minha mulher dorme no quarto!
- Eu sei... sumo de vassoura daqui a pouco - respondi confiante e ameacei - Mas só depois que você pagar a prenda!
- Que prenda?
- A prenda de dia das bruxas, ora!
- Ai, não acredito! - inconformado, e tentando se livrar de mim - Não quer uma bala?
- E eu sou mulherzinha de querer uma bala?
- Então o que você quer?
- Quero um desenho!
- Agora?
- É! Anda! Lápis e papel!
e o sujeitinho correu e logo estava com as mãos trêmulas riscando minha figura sacana no papel. pernas abertas, sainha levantada, sandálias vermelhas no tom do tapete, peitinho pequeno e duro sob a camiseta branca de algodão. e o medíocre corria pra terminar minha obra de arte. corria corria. tremia tremia. e eu molhava molhava.
- Essa manchinha.... - e ele mirava minha buceta - Sua calcinha está molhada?
- Sim!
- Vagabunda! - ele mudava o tom da conversa - Me deixa de pau duro assim - e se esquecia da esposa que dormia no quarto - Assim eu vou ter que te comer!
- Então me mostra o desenho antes....
- Toma, olha enquanto eu te como - praticamente um solteiro falando, enquanto botava o dito duro pra fora.
- Camisinha! Vai buscar, vai...
e o sujeitinho medíocre foi de pau duro buscar a camisinha no criado mudo que ficava ao lado da mulher que dormia. e eu, como uma bruxinha má e sacana, peguei minha vassoura e sumi, deixando apenas meu desenho riscado por ele no tapete da sala... como uma bela e amarga lembrança de sexta-feira treze.
BETH CASTILHO, 32 anos, paulistana ao
quadrado, economista, sagitariana, feliz da vida. por enquanto, enquanto não sai um livro, publica seus textos no
blog (http://reboladeira.zip.net).
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