O escritor aprendeu a brincar
com a dimensão do perto e do longe.


Bruna Longobucco


Quando enfim avistou a praia, sentou-se sobre algumas pedras e permitiu-se divagar. Ponderou ao por do sol, frente às cores que inundavam a orla marítima. Concluiu que não haveria lugar mais perfeito para se despedir da existência.

Então sorriu... inesperadamente, a mesma jovem que perseguira em noções atemporais, estava bem ao lado seu.

Uma luz que não soube identificar não permitiu que visse seu rosto, entretanto, sentiu que poderia tocá-la e pertencer a um lugar, que antes não era possível. A realidade de sua vida não era a de ontem, mas o brilho que lhe invadiu a visão, trouxe uma promessa que definiu como sendo irrecusável.

Quando o escritor se levantou, nem ele, nem a praia eram os mesmos. E, feliz, uma criança corria na direção do mar, sorrindo e brincando com as ondas.


No céu, as gaivotas teciam desenhos entrelaçando as nuvens. No chão, a algazarra das famílias que visitavam o litoral aos finais de semana.

A criança continuou correndo até que alguém fechasse a janela e a perdesse de vista.

Porém, no ir e vir do tempo, seus sorrisos pareciam durar uma eternidade, até que novamente, o que os homens diriam ser um ciclo, virasse a página e, num novo início para o final, trouxesse o escritor de volta.


Filha de imigrantes italianos, BRUNA LONGBUCCO nasceu em 1978, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Desde a infância, interessou-se por literatura e escrever veio como um dom natural. Em 2004, começou a divulgar seus trabalhos com participações em antologias e outras publicações, como a obra O Menino que tecia Sonhos. Graduada em Comunicação Social e bacharelanda em Direito, entre seus originais há contos, poesias, crônicas e romances. Seu objetivo maior é criar e recriar mundos, lugares e momentos, sensibilizando os leitores a quem suas obras se destinam.