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O imperador das ilhas
de longe

Tradução de Flávio Moreira da Costa
O imperador das Ilhas de Longe nomeou seu cavalo
primeiro-ministro, e como sua montaria, convocou um homem do
reino.
Ao notar que esta nova ordem das coisas resultava na prosperidade
do país, um veterano assessor aconselhou o rei a passar a morar
nas pastagens e colocar um boi no seu lugar, isto é, no trono.
"Não", reagiu o monarca, com um ar pensativo, "Um bom princípio,
levado às últimas conseqüências, pode se tornar nefasto. Uma
verdadeira reforma nunca deverá chegar a ser uma revolução."
FLÁVIO MOREIRA DA COSTA é gaúcho e nasceu em 1942. É
escritor, tradutor e jornalista. Organizou várias coletâneas e
antologias, como Onze em campo e um banco de primeira; coordenou
coleções como "A prosa do mundo" e "Local do crime" e, há 15
anos, mantém uma oficina de ficção. Tem textos publicados em
várias antologias no exterior e traduziu, entre outros, Greene,
Gustave Flaubert e Juan Carlos Onetti. No Brasil, colaborou com
os principais jornais e revistas como repórter, redator, editor,
colunista e crítico. Em Portugal, colaborou com o Diário de
Lisboa e Colóquio/Letras. Tem 19 livros publicados. O primeiro
prêmio veio com Malvadeza Durão, em 1978 (Prêmio Nacional de
Contos/Paraná). Em 1997, O equilibrista do arame farpado recebeu
o Prêmio Jabuti/romance, o Prêmio Machado de Assis de Romance da
Biblioteca Nacional e o Prêmio da União Brasileira de Escritores
e foi finalista do Prêmio Nestlé. Em 1998, Nem todo canário é
belga recebeu o Prêmio Jabuti/contos.
AMBROSE BIERCE
(1842-1914?). Sobre a secretária havia, diz-se, um crânio e uma
caixa de charutos. O crânio era de um antigo amigo seu, a caixa
de charutos continha as cinzas de um crítico rival. Parece que
nem sorria ao afirmá-lo. A morte foi o tema de eleição de um dos
mais detestados e temidos verrinosos humoristas do seu tempo.
Deixou cerca de noventa histórias, distribuídas por três géneros:
a história de terror, as histórias de guerra e a tall tale, em
que tudo pode acontecer e, mais cedo ou mais tarde, acontece.
Nascido numa família religiosa temente às chamas do Inferno, no
meio primitivo rural do Ohio, Ambrose Gwinett Bierce alistou-se
no exército de Lincoln aos dezoito anos. Acabada a Guerra Civil
com uma honrosa folha de serviço, encontrou-se em São Francisco
sem modo de vida certo. Começou a escrever e alcançou tal
notoriedade escandalosa com a sua coluna, que foi o primeiro a
ser contratado por Hearst quando este começou The Examiner. A sua
primeira colecção de histórias, antes publicadas em jornais,
apareceu em livro em 1891. As Complete Short Stories, cuja edição
levou a Bierce quatro anos a preparar, saíram em edição
monumental em 1912. No ano seguinte, Bierce visitou pela última
vez os lugares das suas grandes batalhas durante a Guerra Civil e
desapareceu no México destruído pela Revolução, para não mais ser
visto.
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