Os Pardais e as Acácias

Os pardais já não pousam nas acácias que arborizam as ruas e avenidas da Capital porque estas libertam o cheiro nauseabundo do acido úrico injectado pelos bêbados que proliferam pela urbe, que depois da ingestão desenfreado do álcool que consomem nas numerosas barracas estacionadas nas esquinas da cidade urinam sem comiseração. E a grandes vitimas são as acácias, que em tempos idos eram símbolo que beleza natural.
Outrora as acácias representavam esta cidade, e nelas inspirou-se um nome pelo qual ficou conhecida “cidade das Acácias”.

Não vamos tirar o mérito aos pardais que se empoleiravam num e noutro galho e libertavam seu canto, enchendo de graça a vida dos citadinos.
Os pardais não têm acento na assembleia municipal nem poiso nas acácias que crescem alimentadas forçosamente pela urina atingindo picos assustadores que abafam a luz dos postes de iluminação que também são vítima de urina.

O aroma das acácias ficou degenerada com a urina e quando a inspiramos nos impregna as entranhas e facilmente sucumbimos ante a uma mudança temporal.

Quando a noite abarca a cidade a luz das estrelas e da lua não aterra nos passeios, porque a opacidade das acácias não deixa, e a escuridão que fica pelos caminhos por onde circulam os transeuntes serve de inspiração para os gatunos que infestam a cidade.

O conselho municipal não quer saber de podar as acácias se as poda é numa e noutra avenida, talvez porque alguém protestou.
Providenciar, mictórios públicos esta fora da cogitação dos líderes municipais, pelo menos que obriguem aos proprietários de todas as barracas da capital a terem um urinol, ou então ou penico para satisfazerem as necessidades fisiológicas dos seus clientes.

Os chefes do conselho municipal não esta preocupados com estes atentados ecológicos porque a casta da elite Maputense bebe em bares de luxo com WC ornamentadas e quando se encontram na casa de banho a sacudir o pénis trocam impressões e até tomam decisões sobre o destino dos seus concidadãos.

Por vezes as acácias tornam-se suicidas e vingam-se atirando-se por cima dos carros que ficam a berma dos passeios usufruindo de sua sombra, depois as vítimas não sabem onde se queixar.

Os pardais ficaram sem seu poiso favorito, agora refugiam-se nos jardins privados localizados ali e acolá, mantido a custo por gente com sensibilidade ecológica e claro de posses financeiras.
Entretanto os pardais chilrearam nas varandas e nos quintais longe dos conflitos entre munícipes e dirigentes municipais.
Quando as acácias sucumbirem os pardais deixarão de emitir seu canto em solidariedade para com elas e os transeuntes caminharão debaixo de calor infernal de verão.

ALEX DAU
é pseudónimo de Paulo Alexandre Dauto da Conceição natural de Quelimane -Zambézia, nascido aos 23 de Maio de 1972. Começou a escrever na década de 80. Publicou o primeiro poema no semanário "domingo" depois dedicou a escrita de prosa onde publicou vários contos na revista "Tempo". Actualmente tem publicado alguns contos no jornal semanário "Savana".