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Na galeria
Entro na nova galeria da cidade, com quatro acessos em cruz, pretendo
atravessá-la em linha reta, mas quando chego no centro do cruzamento
vejo que a passagem em frente está fechada por um tapume, então volto-me
para a direita e constato que também está obstruída por uma carroça e um
cavalo, o que me obriga a optar pela via da esquerda, esta, para minha
surpresa, leva a uma escada que conduz aos pisos superiores, o que não
me interessa, deixando-me como única opção voltar sobre meus próprios
passos para perceber, assustado, que aquela entrada não existe mais,
toda a galeria recuou no tempo e encontra-se em fase inicial de
construção, com cimento fresco pelo chão, andaimes, ferros retorcidos e
um pânico absurdo por sentir-me prisioneiro deste local que me parece um
mítico labirinto, agora na fase de fundações, com um operário vergando
ferros sem que pareça dar-se conta de minha presença, até que
respondendo aos meus gritos em busca de um caminho para fora, ele faz um
gesto vago em direção aos tapumes que cercam o terreno e sugere que eu
procure o supervisor da obra, o que me faz ficar imóvel e sem esperança,
quando então surgem dois homens altos, de semblante severo, exatamente
iguais, como clones, usando óculos e capacetes de proteção e me sugerem
segui-los, pois me mostrarão a ansiada saída.
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