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Mutante
Vestido longo de cetim, comprimento exato, justo, um grande dragão
vermelho tatuado nas costas. Entre o decote e os cabelos longos,
entrevê-se a cabeça, olhos demoníacos, e parte do pescoço da besta. Um
observador veria o vestido como uniforme.
A noite começou com angústia. Antes de sair, mãos acariciando com água
morna, no banho tentava fazer o corpo exalar desejo, desenhando um homem
com pedaços de suas memórias deitadas. Pensou na boca mais perfeita que
beijou, esqueceu o bordado das costas.
No bar, quase chora ao lembrar do Sr. "boca perfeita", perdido do outro
lado do mundo. Ela busca alegria cristalizada momentânea, se abaixa
sobre o espelho mágico das almas perdidas, pó de cristal, longos
suspiros de banheiro. Ao levantar, vê no espelho da parede o reflexo da
sua dor. Aos poucos veste a máscara da mulher fatal e volta para o bar.
GUSTAVO MARTINS, 34 anos, é
curitibano por adoção. Redator publicitário, trabalha na Companhia
Paranaense de Energia - Copel e na Vermelho Propaganda. Escreve esses
contos mínimos que ele chama de MCPs (mini contos perversos).
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