Sobras de um almoço ao dente

Uma luz surgiu do espelho e veio esbugalhar em meu rosto refletindo toda a carne que tenho sob a pele úmida e escura; por um momento esqueci o que havia me levado a ir ao banheiro neste momento com a luz sobre os olhos viajei por mares longos e campos produtivos e nesse mesmo aquele incômodo como se fosse um torturador que ficam a enfiar agulhas tortura aquela dorzinha fumegante prometéia daquela gostosa lagosta com molho de mostarda enfiada no último dente do lado esquerdo e fiapos de alface verde sorriso seu que tinha comido no almoço. Lembrei que havia ido ao banheiro para escovar os dentes. Com a luz que radiante brilhava alcancei a pasta de dente esta megera magra industrial presenciando uma das filosofias da vida do homem quanto preguiçosos mesquinhos masoquistas inerente não tive a coragem de pegar outro tubo de pasta e fiquei ali enrolando aquele velho torcendo pra direita esquerda retorcendo meus dedos utilizando as duas mãos pressionando com os polegares já com as unhas doendo e com a outra dor promeróica latejante latejante que toma conta da boca inteira e que travava aquela briga de luta livre ou do sexo troglodita com minha língua indo também para a esquerda direita pra frente trás fazendo pressão tentando atenção e nada de pasta e a luz sobre meus olhos tentei com o dedo dedo médio polegar mindinho indicador com dor não saía. Não poderia usar um fio, pois queria comer aquele restinho da carne da lagosta com alface. Lembrei do resto da pasta que tinha naquele tubo velho chato da pasta que tinha e do resto de comida e não tinha nada do café da manhã e fui ficando triste sofrendo com dor diminuindo diminuindo e até que olhei para o espelho não havia mais luz, mais sonho, mais pasta, mais carne, mais dor, mais homem. E um grito redondo murmurando apagou a luz do banheiro branco com meros tubos esmiuçados empanados dentro do tubo havia.

OTAVIO RANZINI nasceu em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, há 19 anos e é estudante de medicina. Participa da revista literária "Empório do Osório" e também brinca com versos.