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O Beduíno e a Princesa
Certa vez, o beduíno Ibrahim-Al-Salama perdeu sua cimitarra. Ele a
carregava sempre consigo, pois fôra um presente do avô. O beduíno ficou
muito aborrecido, e ofereceu como recompensa a quem a encontrasse sua
Cáfila de camelos e a tenda.
- Era uma tenda fincada no deserto e cercada por um oásis; na tenda,
coberta por tapetes coloridos e macios, havia peças decorativas que eram
relíquias da cultura árabe; chamava atenção dos visitantes um narguilê
de ouro, ao lado das almofadas de veludo fulvo e carmesim. Num móvel
esculpido, com delicados arabescos, repousava na bandeja e bule e
copinhos de cristal verde com as bordas ornadas a ouro, nos quais o
beduíno oferecia o chá aos visitantes, pois era muito cortês.
- Ocorreu que a filha do rei, a princesa Yasmim, encontrou a cimitarra
do beduíno, quando passeava com suas amas pelas areias do deserto e
gritou cheia de contentamento, vejam, é de ouro e reluz como se fosse
tecida dos raios do sol! Ao ser informada, por um criado, que aquela
cimitarra pertencia ao beduíno Ibrahim-Al-Salama, a princesa pediu
permissão ao rei para entregá-la, ao que o rei só permitiu se fosse
escoltada pelos guardas do palácio e na companhia da velha ama.
Yasmim ia contente, pois era alegre e graciosa, imitava o canto das
cigarras, que ouvia nos jardins do palácio. Aproximando-se da tenda, a
princesa cobriu o rosto com o véu. O beduíno a recebeu com certo
encantamento. Nas mãos dele, ela, sutilmente, colocou a cimitarra. Ele a
olhou com grande doçura e gratidão, não sabendo que ela era a princesa
Yasmim. Disse-lhe, então que a Cáfila de camelos à sombra das palmeiras
e aquela tenda agora lhe pertencia, pois havia prometido, como
recompensa, a quem encontrasse sua cimitarra. Esquecendo os recatos de
princesa árabe, ela deu-lhe um sorriso, olhando-o com profunda ternura,
e encaminhou-se de volta ao palácio. Retornava silenciosa, pensativa.
Chegando, surpreendeu o rei pedindo para unir-se ao beduíno em
matrimônio, - O rei relutou um pouco, depois resolveu chamar o beduíno
Ibrahim-Al-Salama ao palácio. Por entre a fresta de uma porta, junto a
velha ama, a princesa espiava, encantada com a beleza do beduíno que
trajava o melhor dgidashe e trazia na cintura a reluzente cimitarra.
A perspectiva de desposar a princesa tornava-o mais belo. Alguns dias
depois, apresentou-se novamente diante do rei, agora na condição de
genro, sorridente e com barbas perfumadas.
- A festa de casamento durou dez dias com a presença de emires, sultões
e reis. A princesa Yasmim optou por morar na tenda do marido e contam as
tribos que viveram felizes como se o destino estivesse impresso na curva
lâmina da cimitarra. Esta, realmente deu muita sorte ao beduíno
Ibrahim-Al-Salama.
HADJA SHAMS MAHMUDA é poeta e contista, tendo como tema o povo
árabe, suas histórias, lendas e milenar resistência.
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